Estudante

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 7 (1636 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 16 de abril de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
FACULDADES INTEGRADAS HÉLIO ALONSO

ANTROPOLOGIA






EXISTE LIMITE PARA O AMOR?
Estudo etnográfico sobre o grupo MADA





MARIANA RODRIGUES




Rio de Janeiro
2013











“Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outrasmetades. Para
viver a dois, antes, é necessário ser um.”
Autor Desconhecido


Objeto
Reunião semanal do grupo MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas. A reunião visitada é localizada na Barra da Tijuca, no Centro Paroquial Parque das Rosas, aos domingos, das 15 às 17h.
Existem reuniões todos os dias da semana - exceto às quartas-feiras - em diferentes pontos da cidade do Rio de Janeiro. Ogrupo está também nas principais capitais brasileiras, além de Portugal e Venezuela.

Justificativa
Além de razões pessoais, destaco o modo como esse grupo ficou conhecido nacionalmente, através de uma personagem de novela escrita por Manoel Carlos no ano de 2003. Com o estereótipo da mulher descontrolada, Heloísa pode ter afastado mais mulheres do grupo de ajuda do que as encorajado. Esseestudo destrincha uma das reuniões do grupo, e mostra a mulher que ama demais completamente fora dos estereótipos.

Introdução
O grupo MADA foi fundado em 1985, baseado no livro “Mulheres que amam demais” (Robin Norwood, Ed. ARX). Ao virar um grupo de recuperação, criou uma versão adaptada dos 12 passos e 12 tradições dos Alcoólicos Anônimos, o mais tradicional dos grupos de ajuda.
O grupo égenuinamente brasileiro e teve sua primeira reunião no ano de 1994, em São Paulo. Na cidade do Rio de Janeiro, foi fundado em 1999, no Leblon, bairro de classe média alta da cidade.
Na reunião observada, nove mulheres se reuniram pra contar e/ou ouvir depoimentos, relatos, desabafos. São mulheres dependentes de relacionamentos destrutivos ou não, de ordem sexo-afetiva, familiar, profissional, eoutros tipos de paixões que acabaram virando obsessões. Todos os nomes são fictícios, preservando o anonimato.
E agora, o que é que eu faço?
Fui a primeira a chegar à Capela Santa Rosa de Lima, onde seria realizada a reunião. Um carro importado estaciona ao lado do meu, e duas mulheres saem dele. A motorista, aparentando entre 35 e 40 anos, exuberante. Corpo escultural, maquiada, salto alto ecabelo meticulosamente alisado, com alguns “fios de ouro”. A carona tem um semblante diferente. Cabelos presos, óculos escuros e nariz inchado, dando a entender que tinha acabado de chorar. Chama-se Rita, e eu viria a descobrir que é a secretária do grupo. A estonteante é Laura, coordenadora do grupo. Fiz uma apresentação rápida, e ela me explicou que as reuniões abertas aos estudantes, à imprensae aos profissionais de saúde acontecem nos últimos encontros de cada mês – mas se eu realmente quisesse ficar, entraria em “consciência coletiva”, cujo significado eu descobri mais tarde. Laura pediu que eu entrasse e me sentasse, e assim o fiz. Enquanto eu me ambientava, Laura e Rita preparavam a sala, estendendo uma toalha rosa sobre a mesa, que amparava uma caixa de lenços de papel, um exemplardo livro “Meditações diárias para mulheres que amam demais” (Robin Norwood, Ed. Rocco), apostilas, uma sacola de pano e um pequeno sino.
Aos poucos, as companheiras, como são chamadas, foram chegando. Mulheres entre 23 e 57 anos, de classe média alta, e com formação superior. Laura pediu que a primeira a chegar lesse a meditação do dia 7 de abril do livro supracitado e a transcrevesse nalousa. Com oito mulheres presentes na sala, a reunião começa.

Consciência coletiva e demais regras
Antes da leitura principal, Laura me apresenta e me coloca no que elas chamam de consciência coletiva. Caso alguém votasse contra a minha presença na reunião, eu deveria me retirar. Todas foram a favor. Como uma apresentadora, Laura lê as regras do grupo, que consistem em desligar o celular, não...
tracking img