Estabelecidos e outsiders

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Revista Conexões n. 5, Dez. 2000 – ISSN 1983-9030

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ESTABELECIDOS E OUTSIDERS:
TRAÇANDO UM PARALELO COM A INCLUSÃO DO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA NA ESCOLA
Ruth Eugênia Cidade
Universidade Federal do Paraná
Resumo
O livro Os estabelecidos e os outsiders de Norbert Elias e John Scotson é um estudo realizado na comunidade Wiston Parva, situada nos
arredores de Londres, onde Elias e Scotson“empreenderam uma reflexão teórica ambiciosa, que revolucionou os rumos da teoria social
contemporânea, sobre os tópicos candentes das desigualdades e das relações de poder delas decorrentes.” (Miceli, 2000, p. 1). Alguns dos
conceitos como outsiders, estigmatização e preconceito abordados na Introdução do livro foram a base deste ensaio para traçar um paralelo
entre estes e alguns dosproblemas da inclusão dos portadores de deficiência na escola brasileira. E assim como em Wiston Parva onde os
outsiders foram estigmatizados e menos valorizados por exigências normativas dos estabelecidos, assim os portadores de deficiência,
considerados com “defeito” e em desvantagem têm enfrentado também expectativas normativas na escola.
Palavras-chave: Estabelecidos; outsiders; estigmatização;portadores de deficiência; escola brasileira.

Os estabelecidos e os outsiders
O livro “Os estabelecidos e os outsiders” de Norbert Elias e John Scotson é um estudo realizado na comunidade Wiston Parva,
situada nos arredores de Londres, onde Elias e Scotson “empreenderam uma reflexão teórica ambiciosa, que revolucionou os rumos da teoria
social contemporânea, sobre os tópicos candentes dasdesigualdades e das relações de poder delas decorrentes.” (Miceli, 2000, p. 1).
A comunidade Wiston Parva apresentava em seu interior uma clara divisão, embora aparentemente fosse uma comunidade
relativamente homogênea segundo indicadores sociológicos correntes (renda, educação, ocupação, religião, etc.). Havia dois grupos: os
“estabelecido”, moradoes no local desde longa data e os “outsiders”, umgrupo novo de residentes. Sendo assim, nessa pequena comunidade,
observou-se a situação de estabelecidos-outsiders, ou seja, o grupo estabelecido atribuía a seus membros características humanas superiores,
excluindo todos os membros do outro grupo do contato social não profissional e o controle social era mantido através das fofocas dos tipos
elogiosa e depreciativa.
A peça central dessafiguração é um equilíbrio instável de poder. A superioridade de forças do grupo estabelecido baseava-se no
alto grau de coesão de famílias que se conheciam a duas ou três gerações, em contraste com os moradores recém chegados, que eram
estranhos não apenas para os antigos residentes como também entre si. Um era estreitamente integrado, o outro, não. Esta falta de coesão era
usada para excluir eestigmatizar os outsiders. “Assim, a exclusão e a estigmatização dos outsiders pelo grupo estabelecido eram armas
poderosas para que este último preservasse sua identidade e afirmasse sua superioridade, mantendo os outros firmemente em seu lugar.”
(Elias e Scotson, 2000, p. 22).
Os autores falam sobre as associações locais e atuação dos estabelecidos nas atividades dentro de cada família e nas dosgrupos de
famílias que se fundiam umas nas outras e fortaleciam os laços familiares. Ao ler este capítulo tem-se uma idéia das atividades e interesses
de lazer de uma parte da comunidade em instituições como o Clube dos idosos, a Banda, o Clube de Boliche e o Comitê Beneficente.
Fica especialmente claro como as fofocas serviam como obstáculos à integração entre os grupos. A fofoca elogiosa erautilizada
pelo grupo estabelecido para apoiar e elogiar as pessoas aprovadas dentro do próprio grupo. Já a fofoca depreciativa utilizada pelo grupo
estabelecido enfatizava os clichês, o estigma e afetava a identidade coletiva dos outsiders.
Sob muitos aspectos, configurações como as estudadas nesta pesquisa exercem um certo grau de coerção sobre os indivíduos que a
compõem. No sentido de que...
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