Envelhecimento populacional brasileiro e o aprendizado de geriatria e gerontologia

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  • Publicado : 5 de dezembro de 2011
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ENVELHECIMENTO POPULACIONAL BRASILEIRO E O APRENDIZADO DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA  |
| Elisa Franco de Assis Costa1, Celmo Celeno Porto2, Aline Thomaz Soares3 |
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RESUMO: As mudanças ocorridas na estrutura populacional trazem uma série de desafios para os quais o país não está devidamente preparado. Existem inúmeros desafios trazidos pelo envelhecimento da população brasileira: odesafio para a família, o desafio da pobreza, o desafio da aposentadoria, o desafio dos asilos e, principalmente, o desafio da promoção da saúde e da formação de recursos humanos em Geriatria e Gerontologia.Entre as novas necessidades geradas pelo processo de envelhecimento populacional está a de serviços especializados para pessoas idosas, o que poderá levar ao surgimento de novas profissões e,conseqüentemente, de novos cursos universitários. Mesmo dentre as profissões já existentes, principalmente as ligadas à saúde, surgem diferentes enfoques e necessidades e a grande beneficiada será a nossa ainda desassistida população de idosos.
PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento, Geriatria, Gerontologia
... E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte Severina: que éa morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte Severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida)...
João Cabral de Melo Neto. Morte e Vida Severina, 1954
As condições de vida do brasileiro, apesar das dificuldades ainda enfrentadas, diferem muito daquelas da década de cinqüenta, quando opoeta João Cabral de Melo Neto escreveu Morte e Vida Severina (MELO NETO, 1994,p.144). Na metade do século vinte, este era um país de jovens, com elevadas taxas de natalidade e de mortalidade, em especial a infantil. A grande maioria das pessoas não chegava à velhice, pois morria antes dos 50 anos em decorrência principalmente de doenças infecciosas e parasitárias.
Atualmente, não se pode maisdizer que o Brasil seja um país jovem, já que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera uma população envelhecida quando a proporção de pessoas com 60 anos ou mais atinge 7% com tendência a crescer. De acordo com o Censo Populacional de 2000, os brasileiros com 60 anos ou mais já somam 14.536.029 indivíduos, representando 8,6% da população total. Em Goiás, temos 358.816 idosos, o quecorresponde a 7,17% da população do estado (KALACHE, 1998). De acordo com as projeções da OMS, entre 1950 e 2025, a população de idosos no país crescerá dezesseis vezes contra cinco vezes a população total, o que nos colocará, em termos absolutos, como a sexta população de idosos do mundo (KELLER et al., 2002, p. 1513-1520).
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Gráfico 1 – Porcentagem de idosos na população brasileira de 1940 a 2000 eprevisão para 2025. Fonte: IBGE, 2002.
As populações envelhecem em conseqüência de um processo conhecido como transição demográfica, no qual há uma mudança de uma situação de mortalidade e natalidade elevadas, com populações predominantemente jovem, para uma situação com mortalidade e natalidade baixas, com aumento da proporção de velhos (COSTA et al., 2001, p. 184-200).
A transição demográficano Brasil, assim como na maioria dos países em desenvolvimento, vem ocorrendo de maneira um pouco diferente da que aconteceu nos países desenvolvidos e, sobretudo, muito mais rapidamente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa média de vida ao nascer do brasileiro aumentou de 66 para 68,6 anos na última década, o que os países europeus levaramaproximadamente um século para fazer, o Brasil fará em trinta anos, dobrar a proporção de idosos de sua população de 7% para 14% (KELLER et al., 2002, p.1513-1520).
Para que ocorresse o envelhecimento da população não bastou apenas aumentar a expectativa de vida. A partir dos anos sessenta, com o advento de métodos contraceptivos mais eficazes, as taxas de fecundidade caíram vertiginosamente, no...
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