Entrevista presidente juscelino jk

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O Cruzeiro - 2 de abril de 1960. |
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JK não quer ficarVai largar o Govêrno na data certa e ser fazendeiro no Planalto Central, perto de Brasília. - Acredita na vitória de Lott, não emitiu um cruzeiro êste ano e espera safras abundantes. - Tomou posse pela 2ª vez em 23 de novembro de 1956. - Viajou 3 milhões de km pelo interior do Brasil, permanecendo no ar 5 mil horas. - O Brasil bate nomomento 8 recordes mundiais.Texto de CARLOS CASTELLO BRANCO
Fotos de ANTÔNIO RUDGEO PRESIDENTE Juscelino Kubitschek vai comprar uma fazenda no Planalto Central, nas proximidades de Brasília, para lá instalar-se como fazendeiro depois de 31 de janeiro de 1961. “Pode ser que muita gente não acredite nisso” - disse-nos o Presidente, - “mas a verdade é que, quando deixar o Govêrno, no próximo ano, o quequero ser é fazendeiro.”Lembramos ao Presidente que o problema político do momento é saber como êle encara as especulações sôbre uma eventual alteração do quadro sucessório de maneira a permitir sua reeleição.- Essas especulações - respondeu o Sr. Juscelino Kubitschek - são feitas e espalhadas por pessoas que são contrárias a Brasília, as quais procuram desencadear uma atmosfera de desconfiançasôbre meus objetivos políticos. Querem com isso atingir o Presidente da República e dificultar, tornando-a suspeita, a transferência da capital. Tive oferecimentos de várias origens para que se deflagrassem movimentos que permitissem minha reeleição, mediante reforma da Constituição. Recusei tudo o que me sugeriram, como prorrogação de mandatos, mandato-tampão etc., opondo-me tenazmente a qualqueriniciativa que quebrasse nosso sistema constitucional.O Presidente deu ênfase à declaração seguinte:
- Vou sair daqui com a Constituição virgem. E tem mais: cumpri todos os dispositivos constitucionais, que até então eram simples letras mortas, como o que manda transferir a capital da República para o Planalto Central e o que determina que 10% da arrecadação da União sejam aplicados no setor daeducação pública.Perguntamos ao Sr. Juscelino Kubitschek qual sua opinião pessoal, independentemente da questão de conveniência política, sôbre o artigo da Constituição que proíbe a reeleição do Presidente da República.
- Eu considero - disse - que quem realmente trabalha durante cinco anos com a intensidade e o devotamento com que o fiz, não pode nem de longe pensar em continuar na Presidência.Indagamos do Presidente se achava realmente importante que a Constituição permanecesse virgem.
- Considero indispensável - respondeu - Nenhuma nação pode-se desenvolver sem ter sua ordem jurídica consolidada.
E prosseguiu:
- Um dos títulos de que me orgulho é de ter sido o mais intransigente respeitador da Constituição. O resultado aí está: o País está calmo. Essa história de continuísmo é oúltimo estertor dos homens contrários à mudança da capital.O Presidente Juscelino Kubitschek recebeu-nos, para esta entrevista exclusiva, às 10 horas da manhã do dia 15 de março. Tínhamos um hora para interrogá-lo, antes que chegasse o Vice-Presidente João Goulart para uma conversa política, programada na véspera. Fomos interrompidos duas vêzes: o Presidente atendeu telefonemas dos Srs. Amaral Peixotoe Sette Câmara. Esgotado com seu pronunciamento incisivo o caso da reeleição, os outros problemas tipicamente políticos se apresentavam secundários. O Presidente, ao que se sentia no desenrolar da conversa, não teria qualquer constrangimento em responder às perguntas. Assinalamos a êle essa circunstância, indicativa de uma quebra de tensão, de uma mudança radical na situação política do Govêrno.Em duas oportunidades anteriores, em que o entrevistamos no Palácio do Catete ou ali mesmo nas Laranjeiras, o Sr. Juscelino Kubitschek debatia-se com crises delicadas, que continham suas palavras e o obrigavam a se armar contra o repórter. Em junho de 1956, cancelou diversas perguntas do nosso questionário e, em 1958, limitou-se em muitos casos a respostas confidenciais. Agora êle ali estava...
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