Entrevista idosos

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Entrevista do projeto de pesquisa Lar São Vicente de Paula(Divino Ferreira Braga)

Entrevistado: Eustáquio

Grupo: O que leva a desestruturação da família?

Sr. Eustáquio: “Hoje a desestruturação da família, leva as pessoas para essa casa (asilo). Por exemplo; cuidar de um morador custa pra nós em torno de 900 reais. Cuidar dele (idoso) em casa não é pra qualquer um, e o trabalho que ele dáentão.”

Sr. Eustáquio: “ O que se faz trazer pra essa casa, é a família não ter estrutura pra cuidar do idoso. Nós nos preparamos, vocês que são meninos se preparam para ter filhos, para cuidar dos maridos, das esposas, mas não se preparam pra cuidar do pai e da mãe quando os dois; um dos dois precisam de cuidado físico. Você não está preparado ou não quer, entendeu? Aí você procura casas comoa nossa, é... e então é o que eu sempre digo: é... a gente já encontrou coisas absurdas em sindicâncias, por exemplo; eu fui fazer uma sindicância, quando fui trazer um senhor pra cá (asilo),eu reuni 11 filhas e 1 filho pra trazer o senhor. Eu faço uma visita posterior, a... á... fiz uma visita antes , até o rapaz que queria trazer era genro e nós tinhamos trabalhado juntos em uma fábrica.Quando ele me viu, ele ficou todo alegre aí eu falei: o que que foi? “ oh cara o meu sogro tá dando muito trabalho. Aqui a situação num tinha um banheiro direito.” eu falei: eu faço um banheiro pra você “a mais... É... Eu não tenho uma cadeira de rodas. Eu disse: te dou uma cadeira de roda . Aí ele falou assim comigo: há mas eu tenho muito nojo! Aí eu já não posso te dar não meu filho, eu disse praele. (...)”

Sr. Eustáquio: “ Esta sindicância marcou minha vida, porque quando eu reuni os 11 filhos, marcaram a reunião num domingo na hora do almoço, acho que eles queriam até de sacanagem, achando que eu não iria “né”? E eu levei uma senhora comigo ( a senhora que tinha aprovado a sindicância), porque antes as conferencias aprovavam a sindicância e chamavam a gente para conferir. Havia umconflito, um aprova e o outro não aprova. Hoje eles não aprovam mais. Eles chamam a gente antes de falar que está aprovado. Saiu faca na reunião, um cunhado querendo matar o outro e falaram assim pra mim: eu só vou aceitar ele lá em casa, se ele ficar um mês na casa de cada um. Falei assim: bacana né? Tratam ele como se fosse uma bicicleta velha que joga por cima do muro e cada um pega. Vocês nãoquerem perguntar pra ele com quem ele quer ficar não? De repente, ele nem quer ficar na sua casa. Falei assim “pro” cara na lata. Ele não quer ficar na sua casa. Aí um falou: vocês “tão” agourando o velho. Aí um cunhado passou a mão na faca, e aí vinte minutos após a briga eles voltaram dizendo que ia cuidar dele (idoso). Que maravilha falei, e vim embora. Demorou quinze dias, chegou a notícia que ele(idoso) tinha morrido.”

Sr. Eustáquio: “Olha a palhaçada que esses filhos aprontaram. É a desestruturação da família e o trabalho que o idoso dá e que faz ele vim pra cá (asilo). Numa família grande de dez filhos, sempre sobra pra um ou dois ...”












Entrevista com os asilados

Grupo: Sr. Tião, como era a sua vida antes de vir para cá?

Sr. Tião: “Antes eu estava bemde saúde, graças a Deus. Daí começou a aparecer problema de catarata, aí só foi aumentando, aí eu “peguei” a não enxergar nada das vistas. Aí o pessoal falou, porque o senhor não pode ficar aqui no sitio sozinho. Aí então eles arrumaram pra mim aqui.”

Grupo: O senhor trabalhava lá sozinho?

Sr. Tião: “Sozinho e Deus.”

Grupo: O senhor tem família?

Sr. Tião: “Nós somos oito irmãos.”Grupo: O senhor algum dia imaginou que iria parar aqui?

Sr. Tião: “Não, nunca pensei.”

Grupo: Desde quando o senhor está aqui?

Sr. Tião: “Tem sete meses”.

Grupo: Como o senhor encara a velhice?

Sr. Tião: “ A minha idade é tranqüila. Eu sou de 1946, “tô” com 64 anos. Tenho saúde graças a Deus.”

Grupo: Qual foi a sua participação na decisão de vir para cá?

Sr. Tião: “ Não, eu...
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