Entre muros e pontes

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V Colóquio Internacional Paulo Freire – Recife, 19 a 22-setembro 2005

ENTRE MUROS E PONTES - A PRÁTICA DO EDUCADOR NO COTIDIANO DE UMA ESCOLA PÚBLICA MINEIRA: MEDIAÇÃO, EMBATES E ENFRENTAMENTOS
Gilcia Maria Salomon Bezerra Mouallem1 RESUMO
O artigo descreve resultados de uma pesquisa realizada no ano de 2002 em uma Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio que busca descrever o cotidianoescolar contando como elementos principais de análise a prática do educador e o motivo pelo qual alguns alunos são resistentes às atividades escolares e à autoridade no interior da escola. São abordadas também as formas pelas quais a escola pode superar as resistências: embates e enfrentamentos dos alunos transformando-se em um espaço e tempo pedagógico e favorável a um trabalho coletivo entreprofessores, alunos e demais profissionais não docentes da escola. A mesma pesquisa apontou os princípios de participação e de dialogicidade, através da criação de oficinas artísticas na escola como via da criação de elementos que propiciam à transformação da escola. Palavras-Chave: Dialogicidade - participação – criticidade – ética – estética.

INTRODUÇÃO Incorporando o desafio de desvelar ocotidiano como observadora e também personagem, a pesquisa que norteia o presente artigo pretende descrever o cotidiano na tentativa de fazer perceber a complexidade e multiplicidade em que se faz, assim como suas possibilidades. Para tanto, trabalharei com: os aspectos potencialmente conflituosos da relação pedagógica, a recusa de alguns grupos de alunos em aceitar a autoridade pedagógica doprofessor, ou seja, as resistências que ocorrem no interior da escola; as definições instáveis que os profissionais da escola atribuem a estas resistências; e as possibilidades de atuação do educador como mediador no processo educativo do cotidiano escolar, no sentido da criação de espaços e tempos escolares, eticamente, ressignificados à coletividade. Os embates e enfrentamentos, ou seja, a indisciplina,se tornou um dos maiores problemas a ser enfrentado pelas escolas hoje, entre aqueles que, claramente, elas não conseguem resolver. O sentido do termo “indisciplina”, dado como desordem e desobediência, comum nas falas preocupadas e atitudes desesperadas dos profissionais da educação - tema de discussões em reuniões e cursos - nos remete à idéia de como o espaço escolar está socialmenteorganizado e como sua normatização reflete, ainda nos dias de hoje, uma educação autoritária, calcada em bases da obediência, resquício do pensamento positivista, que defende uma única ordem: a imposta. Pelo seu próprio significado ou pela conotação autoritária que se dá à palavra “indisciplina”, usada como fruto de uma educação arcaica, optei, junto aos estudiosos que falam sobre a

Doutoranda emEducação-Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre em Educação-Currículo pela PUC. Professora Assistente da Universidade Federal de Engenharia de Itajubá/MG e Coordenadora do Curso Normal Superior da Universidade Presidente Antônio Carlos/Piranguinho/MG. (gilcia@projesom.com.br).

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V Colóquio Internacional Paulo Freire – Recife, 19 a 22-setembro 2005

Teoria daResistência, por usar o termo “alunos que apresentam resistências” para, a partir de uma visão crítica, lançar um novo olhar sobre as atitudes dos alunos. Falar sobre "resistência", nesta pesquisa, é descrever o inconformismo dos alunos, a ousadia; a tempestade que atravessa a calmaria e provoca e movimenta as salas de aula, os corredores, o pátio, a cantina, a sala da direção, a sala da orientaçãoeducacional, enfim, todo o espaço escolar. Não se trata aqui de algum tipo de apologia à revolta ou à rebelião, embora estas em alguns casos sejam legítimas. A lógica da presente exposição é que, partindo da premissa da existência de tais resistências, faz-se urgente entendê-las. Por compreender que o modelo sociológico, que privilegia as grandes estruturas sociais, não consegue responder a todos os...
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