Ensaio - livro o ensaio sobre a cegueira

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  • Publicado : 26 de abril de 2013
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Este ensaio tem por objetivo abordar a problemática de como o narrador consegue criar a visão de desnudamento do ser humano e, a partir de um processo de desconstrução social consegue recriar a esperança na obra de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira.

A literatura exerce funções na vida social, na obra de Saramago é abordada à temática da condição humana em sociedade, envolvendo a estruturasociopolítica e cultural com todas as suas fragilidades e falácias, que levam o individuo “a viver as cegas”, como Saramago cria em sua obra e denomina como sendo uma “cegueira branca”, por meio de tal abordagem se pode identificar o desnudamento do ser humano que na condição do caos passa a ser totalmente dependente e fragilizado, surge a partir de então a necessidade de se enxergar a condiçãoreal em que se encontram as personagens, para ser possível uma reconstrução com bases sólidas, uma vez que é possível entender o ser humano nas suas minúcias com as situações criadas pelo autor.
A obra é uma critica aos valores sociais que se perdem quando não os enxergamos, sendo valores atribuídos pelo próprio homem de acordo com cada período social e histórico, é neste contexto que a obramostra promiscuidade, a falta de pudor e a imundície que se instala por toda a cidade, as personagens não têm nomes, sendo descritas por características peculiares, o que nos leva a considerar os papéis predestinados que cada um exerce em sociedade, na qual as pessoas passam pelo processo de reificação e se determinam cada vez mais egoístas, pois, se confundem com o próprio objeto e não se sabe qualpossui maior valor, o capital ou o próprio ser.
A narrativa trata de uma epidemia de cegueira onde as pessoas veem tudo branco, fato que determina a falta de consciência do caos em que sempre estiveram, o governo encaminha os cegos para um antigo manicômio desativado, a fim de conter a proliferação do “mal branco”, o local é controlado pelo Exército, o que marca a intervenção governamental comosendo imposta, pois, o problema não será efetivamente sanado, o local se torna um depósito de doentes que se encontram como um problema para estrutura social capitalista, evidenciando a desvalorização humana, onde o poder sempre se sobressai a qualquer valor humano, temos como exemplo na história da humanidade o caso do genocídio, onde fica evidenciado que a busca pelo poder não tem limites.
Outrofato que marca a narrativa é quando o manicômio é incendiado e os cegos deixam o local, eles saem em grupo, a mulher do médico parte em busca de soluções para sobrevivência, surgem reflexões sobre a moral, os costumes, a ética e o preconceito ao nos depararmos com a transformação de seus personagens em animais egoístas na luta pela própria sobrevivência. É nessa situação que ela se questiona se ébom ou ruim não poder enxergar, pois, ninguém mais vê quem está agindo errado e a lei do mais forte é a que impera.
Ao longo da obra verifica-se o conflito entre o individual e o coletivo numa sociedade aparentemente organizada, mas onde a valorização do capitalismo, a tirania, o surgimento de uma estrutura familiar modificada, os novos valores religiosos estabelecidos em uma sociedade dedesconfiança, medo, moralidade, hipocrisia, indiferença e morte, faz com que todos procurem vantagens a todo tempo para satisfação do próprio ego, sem um pensar coletivo, o que gera problemas de todas as ordens.
Há um momento em que um grupo de cegos decide firmar poder autoritário sobre os demais, ameaçam com um revólver e controlam a distribuição da alimentação que recebem, abusam sexualmente dasmulheres em troca de alimento. Após passar pelas humilhações, a mulher do médico resolve matar o chefe do grupo tiranizador, buscando num momento extremo fazer justiças com as próprias mãos, pois, a sociedade instaurada no manicômio estava se transformando no primitivismo onde o que se “vê” é a falta total de dignidade humana, mas alguns cegos manifestam que preferiam a tirania imposta a passar...
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