Enigma

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Ética como Instrumento para a Tomada de Decisões

PASSOS, Elizete. Ética nas Organizações. Cap.7. Pág. 96-104. São Paulo: Editora Atlas, 2004. Mesmo sabendo que estamos em processo de re-significação da idéia, comumente aceita, de que não existe relação possível entre ética e negócios, em nossa sociedade esse processo ainda está no começo. Esta situação provoca a eclosão de problemas éticosrelacionados aos consumidores, aos empregados, aos concorrentes, aos fornecedores e ao governo, traduzidos, na prática, no descaso às leis trabalhistas e fiscais, aos direitos do consumidor ou preservação do meio ambiente, apenas para citarmos alguns. Todavia, como vimos em capítulos anteriores, as organizações vêm pagando altos preços pelo descaso com as questões éticas, o que tem feito com quemuitas delas já não duvidem que a ética precisa ser levada em conta no mesmo patamar com que são consideradas as questões técnicas, por exemplo. Diante disso, não basta que as organizações saibam tomar decisões certas. Mais do que isso, elas precisam tomar decisões certas nos momentos certos. O perfil da empresa que segue corretamente as orientações técnicas não mais satisfaz. Nesse momento é que aética se impõe como um "instrumento" essencial no mundo da organização, enquanto orientadora das decisões a serem tomadas, principalmente pelo gerente. O presente capítulo tem como objetivo discutir essa questão, ou seja, de que forma a ética se caracteriza como uma orientação segura na tomada de decisões no mundo organizacional. Metáfora do Abrigo Protetor Conforme discutimos no Capítulo l, o serhumano é o único agente da moral, na medida em que pode responsabilizar-se pelos atos que pratica. Mesmo se sabendo que enquanto um ser político e social participa de várias ordens institucionais e carrega consigo resíduos das normas ali estabelecidas, não se reduz a elas, ao contrário, aceita umas, recusa outras, enfim, como quer Arthur Gianotti (1992), tem sempre um "ponto de fuga", que o faz sersujeito e não apenas agente. "O sujeito só se mostra na transgressão ou quando abandona de vez um determinado sistema de regras; não se mostra, porém, como algo, mas pela recusa desse conteúdo, por certa negatividade" (ibidem, p. 241). Como se vê, não comungamos do ponto de vista determinista, que nega ao ser humano a possibilidade de escolha, visto que o cerne do comportamento moral é aliberdade, não como ausência de todo e qualquer tipo de condicionamento, e sim como o direito de decidir-se entre as alternativas existentes. Diante dessa possibilidade, que pode ser resumida como a condição humana, é que a ética surge como um abrigo protetor para os seres humanos, não por sua costumeira tradução em normas de conduta, mas, principalmente, porque instiga o ser humano a pensar, a refletirsobre si e sobre o mundo. Postura de sujeito, que não se anula na contingência, faz dela o lastro para a transcendência, para exercitar sua dimensão criadora, racional e livre. Certamente, os seres humanos a todo o momento estão sendo chamados a tomar decisões na vida social e profissional; entretanto, dados os interesses do momento, centraremos nossa atenção na figura do gerente,1 por excelênciaaquele a quem é cobrada a obrigação de decidir a cada momento.
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Sem dúvida, no mundo de hoje, as organizações estão exigindo de seus empregados muito mais do que a força física e a habilidade manual. Esperam deles que saibam pensar, saibam usar o conteúdo técnico com criatividade e não apenas como autômatos e repetidores.Entretanto, ainda conseguem conviver com os muito hábeis tecnicamente e que saibam fazer as coisas certas, desde que isto não signifique diminuir a produtividade e o lucro. Com os indivíduos que ocupam posição de tomada de decisão tais concessões são vetadas. Deles exige-se muito mais do que competência técnica. Precisam ser inteligentes, tecnicamente preparados e criativos; isso porque não basta que...
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