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TEM FOLCLORE NA FLORESTA


Peça em um ato de: PAULO SACALDASSY




PERSONAGENS

MENINO


MENINA

CURUPIRA
SACI-PERERÊMULA-SEM-CABEÇA
IARA
CORUJA
SABIÁ
BORBOLETA
























CONTATO: sacaldassy@yahoo.com.br
TEL.: (13) 3233-5720

CENÁRIO: UMAFLORESTA

NO PALCO, UM SACI-PERERÊ, UM CURUPIRA, UMA MULA SEM CABEÇA, E A BEIRA DE UM LAGO, IARA, A MÃE D’ÁGUA. OS QUATROS ESTÃO REUNIDOS EM ASSEMBLÉIA EXTRAORDINÁRIA.
CURUPIRA - Muito bem meus amigos, estamos aqui mais uma vez nesta reunião extraordinária do CARFON “CONSELHO DO AMOR E RESPEITO AO FOLCLO- RE E A NATUREZA”, para discutirmos os rumos que iremos tomar quanto a pre- servação de nossaslendas e reavaliar como anda a nossa Mãe Natureza...
SACI - ...Isso mesmo, precisamos manter sempre viva as nossas lendas...
MULA - ...Apoiado! É por isso, que nossa Mãe Natureza não vai muito bem de saúde, pois estamos em baixa, não acreditam mais na gente. Os caçadores ca- çam animais, não respeitam mais as nossas lendas, e estão fazendo uma tremen- da depredaçãoambiental...
IARA - ...E os nossos rios então! Se não bastassem os gananciosos pesca- dores, agora os homens da cidade teimam em poluir nossas águas com produtos químicos. É o fim!
SACI - Precisamos reagir imediatamente.
CURUPIRA - Justamente, por isso, que estamos aqui reunidos, chegou a hora de entrarmos em ação, pois eu não estou aguentando mais o descrédito com a minha lenda,antigamente os índios morriam de medo de mim, vinham até aqui na flores-ta para me entregar oferendas, esperando que eu não os maltratassem mais. Mas agora, nunca mais ouvi ninguém falar de mim...
MULA - Mas, como vamos fazer isso?
CURUPIRA - Ora, minha cara amiga, quanto tempo faz que você não assusta
1.
alguém? Ninguém mais acredita que nósexistimos!
SACI - É isso aí, Curupira! Estou contigo. Vamos mostrar que nossas len- das ainda estão vivas! Eu vou sacudir o capoeirão com um enorme redemoinho, vou amarrar as crinas dos cavalos, vou assobiar e gargalhar tanto, que até quem estiver na cidade vai ouvir!
CURUPIRA - Então, como estamos todos de acordo, vamos à ação. Saci, vá fazer suas traquinagens, Mula, vá para a entrada dafloresta, eu vou para a grande ár-vore...
IARA - E eu?
CURUPIRA - Ora minha amiga, vá para o fundo de seu lago, e espere algum pes- cador atrevido se aproximar.
IARA - Ah! A quanto tempo não aparece por aqui alguém para eu enfeitiçar e arrastar para morar no fundo do rio comigo. Estou precisando de um novo namo- rado.
CURUPIRA - Ei, esperem! Estou ouvindo passos. E estãoperto!
SACI - (GARGALHANDO) É hoje que eu vou fazer muita molecagem!
MULA - Vamos logo!
IARA - Eu vou atraí-los com o meu canto. Hoje eu arrumo um novo namo-rado!
CURUPIRA - Não, nada disso! Vamos esperar a hora certa.
ELES SAEM DE CENA, COM EXCEÇÃO DA IARA QUE MERGULHA NO LAGO, DEIXANDO APENAS A CALDA DE PEIXE PARA FORA. ENTRAM EM CENA DUAS CRIANÇAS, UM MENINOARMADO COM UM ESTILINGUE E UMA MENI- NA COM UMA REDE DE CAÇAR BORBOLETAS.
2.
MENINA - Olha só onde nós já estamos, quase no centro da floresta. Vovó fa- lou para não irmos tão longe, além do mais a Zazá disse para tomarmos cuidado com o Saci, o Curupira, a Mula-sem-cabeça...
MENINO - ...E você acredita no que a Zazá diz? Psiu!!! Fique quieta! Vai...
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