Drogas pelo brasil entre 2005 e 2009

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26/10/2009.
No Rio de Janeiro, o consumo de drogas está no centro de uma tragédia que envolveu duas famílias.

“Naquele sábado, dois jovens morreram. Uma foi enterrada e o outro respira ainda. É dor, remorso, sabe? É dificil, tá difiicl”, disse o pai de Bruno, Luiz Fernando Prôa.

Bárbara, 18 anos, morreu por asfixia, estrangulada. Bruno, 26, disse na delegacia que não se lembra do queaconteceu depois de ter consumido crack. Só percebeu o que tinha feito quando acordou. Em pânico, ligou para o pai.

“Ele diz que matou uma mulher que amava. Matou uma amiga que amava. Ele diz que vai se matar”, disse o pai de Bruno.
Luiz Fernando chamou a polícia e o filho foi preso em flagrante. Um erro sem volta para a família da moça, enterrada no domingo. E para a do rapaz não foi a primeiravez que um telefonema trouxe angústia e sofrimento.
“Cada telefone que tocava era uma sirene do Corpo de Bombeiros na cabeça da gente. Durante seis anos”, disse o pai.
Bruno passou por cinco internações e várias recaídas. Ficou com sequelas, como síndrome do pânico e depressão. Começou a frequentar um grupo de narcóticos anônimos. Uma luta que sensibilizava quem estava a sua volta. Bárbara, amoça do prédio em frente, tentou impedir que ele continuasse neste vício.

Numa carta, o pai desabafa e conta como é difícil internar um viciado no Brasil. Cita as políticas públicas, que exigem a vontade do próprio dependente.
Lembra da reportagem exibida no Jornal Nacional na semana passada sobre a mãe que construiu uma cela em casa, para tentar salvar o filho da droga.

Depois de 24horas trancado dentro da cela, em casa, o jovem gaúcho ficou cada vez mais agressivo. Destruiu paredes, janelas e grades. Fugiu. E acabou internado pela oitava vez.

Bruno foi indiciado por homicídio e a pena pode chegar a 20 anos de prisão. “A gente tentava uma internação forçada, mas a cultura geral desses gestores desse problema, eles acham que um viciado em crack, um cara destruídomentalmente, vai caminhar. E não é assim, eles são um risco para a sociedade, principalmente para a família e pra quem está em volta”, disse o pai do rapaz.



26/10/2009
O Jornal Nacional conversou ao vivo com um especialista em tratamento de viciados em drogas, o doutor Ronaldo Laranjeira. Ele é psiquiatra e professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo. Conversou também com ocoordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado.

Muitas famílias já estão passando por esse problema: o crack começou com moradores de rua, mas hoje chegou à classe média. Como as famílias podem identificar que o parente esteja iniciando o consumo do crack?

Ronaldo Laranjeira - Sempre que começar um comportamento errático, que começar a gastar mais dinheiro e seenvolver com pessoas envolvidas com o tráfico, a família tem que desconfiar. Mas a família tem que se informar que existe uma lei que permite a internação involuntária. Mas essa lei não é seguida aqui no Brasil. O sistema público de saúde não tolera esse tipo de atitude. Então acaba desassistindo uma parte da população. O crack é uma doença grave em que é preciso uma série de recursos, inclusive ainternação involuntária, em que as pessoas que não têm recursos no Brasil estão sendo privadas de receber o tratamento necessário para essa doença tão incapacitante.


Pedro Gabriel Delgado – A legislação brasileira é clara e permite sim a internação involuntária. Permite a internação naqueles casos que representam risco para a pessoa, para familiares ou para outras pessoas. É uma lei de2001. Esse caso demonstra que mesmo que a pessoa tenha sido internada, a gravidade da situação do crack pode levar ao fato de que ele permaneça em situação de vulnerabilidade, mesmo depois de sucessivas internações.
A lei não fica tão clara. Ela diz que é possível sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiros. O que a família tem que fazer para que esse terceiro possa conseguir a...
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