Dicionario filosofia

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 8 (1977 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 29 de agosto de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
DICIONÁRIO DE FILOSOFIA
JOSÉ FERRATER MORA

TEXTO PREPARADO POR EDUARDO GARC A BELSUNCE E EZEQUIEL OLASO
TRADUZIDO DO ESPANHOL POR ANTÓNIO JOSÉ MASSANO E MANUEL
PALMEIRIM
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE LISBOA 1978

FELICIDADE—As doutrinas éticas que colocam a felicidade como bem supremo denominamse _eudemonistas, mas isto não implica que não possa compreender-se a felicidade de diversasmaneiras: como bem-estar, como actividade contemplativa, como prazer, etc. Neste último sentido, os cirenaicos pareceram sublinhar o prazer dos sentidos ou prazer material como fundamento indispensável do prazer espiritual. Como o prazer sensível é algo presente, tendeu-se para considerar que só o prazer atual é um bem verdadeiro; argumentou-se contra esta teoria, que os prazeres podem produzir dores. Oscirenaicos responderam que o dever É procurar a satisfação dos desejos de tal forma que se evitem as dores subsequentes. Também se argumentou contra os cirenaicos que a sua doutrina é egoísta e que o prazer de um pode resultar na dor de outro. Os cínicos, por sua vez, acentuaram o desprezo por todo o saber que não conduza à felicidade, isto é, à vida tranquila. Só pode conseguir-se esta vidaquando se tem um domínio suficiente sobre si próprio, quer dizer, quando se atinja a auto-suficiência, ou autarquia. Daí o desprezo do prazer, que é para os cínicos o produtor da infelicidade, o que perturba a quietude do sábio. A regra do sábio é a prudência, a sabedoria, pela qual se eliminam todas as necessidades supérfluas, pois só a virtude é necessária. A ética eudemonista sempre entendeu afelicidade como um bem e também como uma finalidade. Diz-se por isso que equivale a uma ética de bens e de fins. Desde Kant costuma chamar-se a este tipo de ética “ética material”, para a diferenciar da “ética formal”, elaborada e defendida por Kant. Na medida em que se calcula que se atinge a felicidade ao conseguir-se o bem a que se aspira, pode dizer-se que todas as éticas materiais são éticaseudemonistas. Aristóteles manifestou que se identificou a felicidade com variadíssimos bens: a virtude, ou com a sabedoria prática, ou com a sabedoria filosófica, ou com todas elas acompanhadas ou não de prazer ou com a prosperidade (ÉTICA A NICóMACO”. A conclusão de Aristóteles é complexa: com a felicidade identificam-se as melhores actividades. Mas como se trata de saber quais são tais “melhoresactividades”, o conceito é vazio desde que não se refira aos bens que a produzem. Aristóteles tende para identificar felicidade com certas actividades de carácter por sua vez razoável e moderado. Posteriormente, advertiu-se que a felicidade não tem sentido sem os bens que fazem felizes e tendeu-se para distinguir entre várias espécies de elicidade: uma felicidade bestial, não é felicidade senãoaparente; uma felicidade eterna, que é a vida contemplativa; e uma felicidade final, que é a beatitude.. Santo Agostinho falou da felicidade como fim da sabedoria; a felicidade é a possessão do verdadeiro absoluto, quer dizer, de Deus, todas as demais felicidades se encontram subordinadas àquela. S. Tomás usou o termo _beatitude como equivalente a felicidade e definiu como “um bem perfeito denatureza intelectual” (SUMA TEOL GICA). A felicidade não é simplesmente um estado de alma, mas algo que a alma recebe a partir de fora, pois de contrário a felicidade não estaria ligada a um bem verdadeiro. Embora os autores modernos tratassem o tema de forma diferente dos filósofos antigos e medievais, há qualquer coisa de comum em todos eles: que a felicidade nunca se apresenta como um bem em simesmo, visto que para ser o que é a felicidade é preciso conhecer o bem ou bens que a produzem.
Inclusivamente aqueles que fazem radicar a felicidade no estado de ânimo independente dos possíveis _bens ou _males supostamente _externos chegam à conclusão de que não pode definir-se a felicidade se não se define certo bem, por _subjetivo que este seja. Kant destacou muito claramente este facto ao...
tracking img