Dibs em busca de si mesmo

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  • Publicado : 19 de março de 2013
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O livro “Dibs em busca de si mesmo” de Virgínia M. Axline relata a história de
um menino no seu processo psicoterápico à procura de sua identidade. A
organização da identidade é a etapa central proposta por Erikson na evolução do
ciclo vital humano. É um momento de síntese, de transformação de identificações
em identidade e de interação original com o mundo.
Dibs era uma criança marcadapor profundos traumatismos. Acreditavam que
ele poderia ser um retardado mental, psicótico ou autista. Enfim, eram muitas as
possibilidades. Ele tinha cinco anos de idade, era uma criança solitária e agressiva.
De acordo é narrado no livro (p.19) Dibs “Recusava até ficar com as costas contra
parede e colocava as mãos para cima “prontas para arranhar”, prontas para lutar se
alguémtentasse aproximar-se” e “ele parecia decidido a manter-se isolado das
pessoas”.
Para Erikson, essa tendência de se pôr à parte das pessoas e do mundo,
constitui em uma tentativa de destruir não só suas características pessoais, porque
insegura e perigosa, como as do outro, porque invasoras e ameaçadoras. Já a
agressão, na concepção de Freud, é uma relação típica à frustração, podendo serdireta ou indireta.
Observando Dibs, sabendo que o comportamento humano é determinado
principalmente por forças inconscientes construídas ao longo das relações do
indivíduo com outros, percebemos que seus traumas são causados por uma
carência afetiva, fruto da sua relação com seus pais.
Já desde a gestação, Dibs fora rejeitado pelos pais, segundo relato da sua
mãe (p. 112) “Meu maridosentiu-se ofendido com minha gestação. Sempre achou
que deveria tê-la evitado [...] Eu também me ressenti com o fato”. Com isso, Dibs
também repudiou sua mãe ao nascer. Pois, a identificação do bebê com sua mãe
ocorre antes do nascimento, ainda no útero. O bebê necessita da presença não só
física, mas também psicológica da mãe. Winnicott relaciona as conseqüências de
um apoio imperfeitopor parte da mãe ao quadro de esquizofrenia infantil ou autismo.
Não havia vínculo afetivo entre Dibs e sua mãe. A mesma via Dibs como um
fracasso (p. 112) ”E então, Dibs nasceu e destruiu todos os nossos planos e nossa
vida. Senti-me como quem falhasse miseravelmente”.
Os estudos de Winnicott mostram que a mãe por meio de seus cuidados,
possibilita ao bebê o desenvolvimento do mundo.Essa relação baseia-se em
confiança, ocorrendo falhas nessas experiências a criança apresentará problemas
em seu desenvolvimento, por que é a mãe ou quem faz essa função que fornece
estruturas para que o sujeito também se reconheça e constitua seu eu.
Erikson vê na mãe um suporte para o desenvolvimento do bebê, onde ele
depende dela em todos os aspectos tanto no físico quanto no afetivo. Amãe passa
confiança para o bebê que depende dessa para se adaptar até conseguir atingir
suas possibilidades.
Analisando essas e outras falas, na qual a mãe de Dibs expõe os seus
anseios e frustrações quanto a ele, compreendemos grande parte do
comportamento dele. Sendo a mãe de extrema importância para o bebê, em todos
os aspectos, Dibs não pôde contar com a sua, sofrendo assim,inúmeras frustrações
que impediu o seu pleno desenvolvimento.
No entanto, o desenvolvimento da criança não depende exclusivamente da
mãe. O vínculo paterno é de extrema importância para o mesmo. E Dibs também
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Centro Cientifico Conhecer, Goiânia, Enciclopédia Biosfera N.07, 2009, ISSN 1809-0583512não contou com o acompanhamento do pai em seu crescimento. Podemos
comprovar isto nasseguintes falas (p.238) “Eu não converso com papai”, “Eu
sempre tinha medo de papai” e “Ele era sempre agressivo comigo”. (p.105) “Ele não
ouvira a criança. Dibs tentou falar com ele, mas o pai cortara a conversa como se
ela fosse uma tagarelice sem sentido”.
Os sentimentos paternos têm importante impacto no desenvolvimento da
criança. Conflito no desempenho do papel paterno resultará em...
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