Desertejo- arte e tecnologia

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
PROGRAMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
CURSO DE ARTES VISUAIS
DISCIPLINA: ARTE E TECNOLOGIA

Angela Francilaini de Moraes Baessa
O artista
Baseando-se em leituras e pesquisas sobre Gilbertto Prado, consideramos como um dos artistas brasileiros mais atuantes no campo da arte e da mídia, que desde os anos 70 vem participando intensamente de diversos projetosque visam à necessidade de novos olhares, ouvires na arte tecnológica.
Gilbertto Prado é um artista que atua basicamente em dois campos dentro da arte e tecnologia: em instalações interativas e em arte em rede. Sua trajetória está ligada com o próprio percurso das artes aos meios de comunicação: já realizou trabalhos de arte postal, fax-arte, redes computacionais pré-internet, sites na rede epor último, realidade virtual. Sua postura, investigativa, vem sendo demonstrada por projetos de pesquisa e reflexão teórica com o site wAwRwt, que visa observar espaços de arte na rede Internet.
“A tecnologia faz parte do meu universo de referências e de vivências..Cada trabalho é um processo, cada trabalho é um diálogo. Esta é minha aproximação como artista; tentar explorar essas possibilidadesé de alguma forma criar zonas de suspensão, abrir hiatos e sonhar o mundo em que vivemos”. (PRADO, 2004)
Prado consegue extrair o máximo de poesia do trabalho com as máquinas, evitando aquela frieza que muitas vezes subentende-se nas instalações mediadas com a tecnologia, sendo um dos talentos mais autênticos que surgiram recentemente no campo das artes eletrônicas.
Sua tese de doutoradodefendida em 1994 na Universidade de Paris I, Panthéon Sorbonne, teve por tema as experimentações telemáticas, que é uma das primeiras realizadas abordando essas questões. Tem realizado e participado de inúmeras exposições no Brasil e no exterior.
A obra
O presente trabalho tem como objetivo fazer uma leitura crítica a partir de estudos de Nara Cristina Santos da obra “Desertejo” de Gilbertto Prado,reconhecendo os cincos momentos numa obra, e refleti-los nas questões da arte e tecnologia no contexto da arte contemporânea. As experimentações com arte e tecnologia vêm-se multiplicando nessas últimas três décadas com a utilização, pelos artistas, de diversas formas de criação, produção e distribuição.
Dentre eles, Desertejo, uma junção de deserto com desejo, que segundo o próprio autor “explorapoeticamente a extensão geográfica, rupturas temporais, a solidão, a reinvenção constante e a proliferação de pontos de encontro e partilha”. (PRADO, apud www.cibercultura.org.br  )
De acordo com a intenção acima, a obra constitui três ambientes interligados onde o primeiro simula um deserto tomando como reflexão as experiências iniciáticas, ou seja, ao conectar mundos virtuais, vivemos o vaziodo real, um espaço aberto de deserto, um lugar de solidão, de perdas de referências e ao mesmo tempo um lugar de liberdade e possibilidades, sem qualquer caminho pré-determinado.
É interessante imaginar o deserto como um silencioso estado de rupturas de existência, território sem territorialidade, como é a própria rede Internet.
Em seguida, o visitante encontra-se dentro de uma caverna, ondepedras caem do teto.
“Enquanto eu estava realizando este trabalho, fui passear por desertos diferentes..., eu notei algumas dessas pilhas de pedras espalhados naquele vasto espaço... e um nativo me disse que eles eram lugares especiais, quando saiu de casa, que costumava olhar para uma pedra e que levaria até o momento em que eles chegavam em algum lugar, que a intuição lhes disse que era o lugaronde a pedra deve ser depositado junto com outros. É um tipo de oferta... uma maneira de dizer este é o lugar onde eu quero deixar a minha pedra para os outros” (PRADO, 2004)
Assim, a pedra constitui um marco da passagem desse viajante e fica como uma indicação, para outros, de que ele ali esteve. Inicia-se o ritual da obra Desertejo, a navegação solitária a qual recebeu o nome de Ouro,...
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