Crise 1929

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  • Publicado : 15 de novembro de 2012
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Trazer a representação do mundo real para dentro de seus romances era o grande desafio dos escritores no século XIX. Victor Hugo, Baudelaire, Zola, Dickens, e Edgar Alan Poe, saíram a campo para observar o homem em seu habitat.
O resultado é uma descrição do tumultuado e nervoso universo que compunha as cidades de Londres e Paris. Capitais de duas grandes nações do velho mundo, mas que pelapena do romancista, nos traz um agudo olhar sobre até onde sonhos podem ser desfeitos, despertados para a dura realidade das ruas.
A multidão frenética de dia era composta de figuras das mais diversas. Os trabalhadores dos escritórios que contavam os passos à espera do horário do trabalho, os carregadores que corriam desajeitados, as lavadeiras com suas trouxas de roupa, os carteiros de porta emporta. Todos disciplinados pelo novo senhor das cidades, aquele que dita o ritmo das atividades, que faz com que o agora seja o oposto do depois: o tempo. A noção do que seja o tempo útil arrancava o homem da acomodação na natureza, e o jogava na engrenagem puída que teimava em levar a sociedade para frente, como uma bem ensaiada peça de Dickens.
Quando a noite chegava, rostos mudavam,comportamentos afloravam e nem sempre de maneira discreta. No afã de desnudar esse cotidiano, nossos autores se aprofundavam cada vez mais; para entender a cena que se apresentava, concluindo aos poucos que o desenvolvimento econômico por certo não havia contemplado todos os filhos da nação francesa, nem todos os súditos de sua majestade. Quanto mais aglomerado o povo era nas cidades, mais isolado o homem sesentia; misturando-se em meio à sujeira e o mau cheiro.
No final do século os bairros operários se agigantavam, tornando-se quase cidades dentro da cidade. Nesses verdadeiros antros de degradação se misturavam trabalhadores, beberrões e criminosos. Os franceses ao olhar o que se passava na caótica Londres vão em busca de soluções possíveis para tornar a vida urbana suportável em Paris.
Osingleses viam no crescimento econômico as causas para os males sociais de altíssimo custo, já os franceses julgavam os custos políticos que a miséria poderia trazer à ordem estabelecida. Vendo tanto descalabro e insensibilidade, Balzac questionava se a sociedade seria melhor organizada quando as massas miseráveis fossem mais fortes que os ricos. O proletariado: trabalhadores pobres, famintos,deserdados da prosperidade, apesar de produzirem essa prosperidade, eram vistos como bárbaros, e por isso deviam ser mantidos em seus guetos, sem direitos, sem conforto, sem sonhos nem futuro.
No final do século a imagem do novo mundo industrial era a pior possível. O desenvolvimento econômico tendo como aliadas as máquinas, fez do homem, simples peça, tendo sua vida reduzida não raramente à metade.Para Michelet a submissão do homem ao ritmo das máquinas era por si só uma desordem, um ultraje que o direcionava à morte. Para ele havia o mistério, como o homem que cada vez trabalhava e vivia coletivamente como em nenhuma outra época da história humana, podia ser tão desunido em termos de afeição, bondade e união? Era a própria negação da sociedade, a afirmação do “anti-social”.
Assim como oslondrinos, os parisienses se deterioravam nesses bairros fétidos, sofrendo inclusive um processo de degeneração biológica, atingindo a população. Balzac percebeu que o aspecto do povo parisiense era o pior possível, homens e mulheres sem cor, sem alma, sem perspectiva de futuro, perambulando pelas ruas de uma cidade conhecida como “Inferno”. Mesmo aqueles que defendiam a existência e o surgimento dagrandiosidade nacional, eram traídos pela sua apreensão ante o poderio representado pelas multidões. A grande massa mostrava-se capaz de levar a sociedade para o alto ou para o buraco quando quisesse.
Os que aceitavam a ordem e o sistema formavam a multidão produtiva, mas eram os que do trabalho fugiam a grande preocupação. Vagabundos e trabalhadores pobres, marginalizados, vivendo em...
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