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04 de Janeiro de 2012 | |
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CRISE |
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E agora, euro? |
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A moeda comum europeia surgiu em meio a um grande entusiasmo. Nas mídias, ninguém duvidava de que o euro “nos” permitiria “ter peso” na cena internacional, concorrer com o dólar. Agora o tom mudou, e a oportunidade do abandono do euro já foi discutida, pois a crise coloca as contradições essenciais da união monetária |
|por Antoine Schwartz |
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Tv France 2, 4 de janeiro de 1999, jornal das 20 horas. Três dias antes, o euro tornava-se oficialmente a moeda única de onze países da União Europeia. Uma reportagem revelava “um dia quase festivo nos mercados financeiros”. “O euro é uma revolução, uma revolução benéfica”, analisava um dirigente da Bolsa de Paris, seguido pelo presidente do Banco da França, Jean-ClaudeTrichet, que evocava “uma felicidade completa ao ver o que se passa atualmente”. Em seguida, o apresentador Claude Sérillon perguntou a Jacques Delors, ex-presidente da Comissão Europeia: “Os financistas estão contentes, os políticos pró-europeus também. Mas para o senhor, um homem de esquerda, não incomoda que, em primeiro lugar, é a Europa do dinheiro que se comemora hoje?”. Seu convidado nãoparecia nem um pouco envergonhado: “A moeda única significa mais liberdade para a França, mais margem de manobra em termos monetários. Desde que a união econômica e monetária tenha sucesso”.Ela obteve sucesso? Doze anos depois, Delors mostra-se desiludido: “a Europa está à beira do abismo”, constata aquele que foi um dos arquitetos do euro (Le Soir, Bruxelas, 18 ago. 2011). Martin Wolf,editorialista do Financial Times, também não acredita: “se os dirigentes políticos imaginassem, há duas décadas, o que sabem hoje, nunca teriam lançado a moeda única” (9 nov. 2011).No final dos anos 1980, o projeto foi defendido principalmente pelos dirigentes franceses. François Mitterrand, ao mesmo tempo preocupado em relançar a integração europeia e inquieto com a hegemonia do marco alemão, pensou, paracontorná-la, na criação de uma nova moeda comum. Além do Reno, os dirigentes estavam reticentes. Para convencê-los, o presidente francês concedeu a liberação completa dos movimentos de capitais, sem acordo prévio. Um comitê de banqueiros centrais e de especialistas, pilotado por Delors, encontrou uma solução bastante simples para desarmar a hostilidade dos “sábios” do Bundesbank (o Banco Centralalemão): a união econômica e monetária seria feita sob as condições estabelecidas por Bonn, a capital na época. O futuro Banco Central Europeu (BCE), independente do poder político, teria como única missão velar pela estabilidade dos preços. Essa concepção, gravada no mármore do Tratado de Maastricht (assinado em 1992), traz a marca bem nítida de uma doutrina particular, a do “ordoliberalismo” – nomedado ao neoliberalismo alemão.Desde o advento da moeda única, o discurso dominante procurou, entretanto, calar os fundamentos ideológicos. Para a imprensa, o euro era uma coisa nova, e até mais que isso. Uma espécie de progresso da história – talvez o maior feito depois da invenção da escrita. Para Jean-Marie Colombani, então diretor do jornal Le Monde, o euro marcava “uma vitória da vontadesobre os mercados, da determinação de alguns sobre as forças econômicas” (Le Monde, 31 dez. 1998). Bernard Guetta considerou, por seu lado, que a União Europeia representava principalmente “o triunfo da razão”. “Com o euro, o movimento de unificação se acelera” e deve conduzir as populações à Europa sonhada; “a utopia provém da infância. A idade do homem o espera”, profetizou o jornalista (Le NouvelObservateur, 31 dez. 1998).Aos céticos, o diretor do jornal Libération, Laurent Joffrin, lembrou que “a construção europeia encarna uma política da razão antes de ser uma emoção do coração. [...] Aliás, é por isso que ela representa um imenso progresso e – se as populações lhe derem vida – um passo na direção de um estágio superior da democracia”. Instituir uma autoridade que escapasse ao...
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