Como nasceu timor leste

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Resenha do livro:


Como Nasceu Timor-Leste?

Nuno Canas Mendes


Esta obra de Canas Mendes, que pretende analisar o processo de gestação do primeiro país do novo milênio, está divido em uma introdução e quatro capítulos. Na introdução o autor dá importância à questão da identidade timorense que, segundo ele, ganhou uma nova dinâmica com a Guerra Fria, que deu uma oportunidade aodesenvolvimento da autodeterminação da resistência timorense. Segundo Canas Mendes, o fenômeno identitário em Timor-Leste perspectiva-se na sua ligação com o nacionalismo, a construção do Estado e da identidade nacional. Nesta introdução o autor dá um panorama geral do que será analisado em seu livro.


CAPÍTULO I – As raízes territoriais e culturais: a formação histórica de uma entidadeterritorial definida como Timor-Leste pelos colonizadores, reunindo num espaço delimitado um coletivo criado a partir de um conjunto de grupos etno-linguísticos forçado a conviver dentro dos limites definidos (gerando, eventualmente, formas de identificação com este coletivo). Timor e o modelo de Casa: a justaposição do nacionalismo às estruturas tradicionais e a idéia de casa comum. (Canas Mendes).A sociedade timorense era patrilinear e dava-se muita importância à casa sagrada. As alianças entre famílias também era fundamental. A mportância das negociações, das alianças e das guerra no estabelecimento dos limites territoriais. É neste complexo que se têm a divisão da ilha entre duas Federações. . O legado colonial foi responsável pela divisão de fronteiras, muitas vezes nãocorrespondendo com as divisões locais. Esse processo de definição de fronteiras não está acabado até hoje. Uma das maiores utilidades da demarcação de fronteiras é a segurança devido a grande vulnerabilidade do território, que ao longo de sua história sofreu ameaças dos poderes dos Estados holandês, japonês e indonésio. Nesta demarcação territorial, Portugal e Holanda fizeram muitos acordos dedivisão de terras, sendo que o só se chegou ao acordo final em 1916. Canas Mendes ressalta a sensibilidade da região por abrigar povos muito distintos e divididos por suas práticas ancestrais. A questão dos limites não ficou encerrada com esse acordo. Mesmo depois de já fundada a Indonésia, em 1966, Portugal tenta negociar as limitações territoriais. Essa é uma questão que hoje em dia ainda não estáresolvida. Tanto em relação aos limites territoriais quanto aos marítimos. Este último principalmente, devido à exploração do petróleo, fazendo com que essa discussão passe a ser também de cunho econômico e comercial.
“A realidade estadual timorense, mais do que uma fundação étnica do ponto de vista territorial ou no predomínio de determinada etnia, é o resultado da evolução de uma unidadepolítico-administrativa formada pelos colonizadores que uniformizaram a pluralidade étnica recorrendo ao nome geográfico para classificarem todos os naturais da ilha como timorenses; Neste sentido, Timor é claramente designação geográfico-administrativa, e os timorenses passaram a ser o conjunto dos seus grupos étno-linguístico.”[1] O autor ressalva que o nacionalismo timorense tem fundamentosétnicos pouco esclarecidos, muitas vezes devido aos problemas na coabitação das etinias no espaço do novo Estado. Assim, Canas Mendes recorre à definição de Anthony Smith na separação entre duas confederações de etnias: Belos e Servião.
O autor ressalta que a persistência dos vínculos da sociedade tradicional é um dos aspectos mais ricos do tecido social timorense. E, reconhece que aindafaltam estudos que averiguam o peso das estruturas dos costumes.Por esse motivo a Constituição timorense, aprovada em 2002, “reconhece as normas costumeiras de Timor,”ainda que “sujeitas à constituição e a qualquer legislação que trate especialmente do direito costumeiro”.Nove dentre os treze distritos de Timor, consideram a casa tradicional como um símbolo do nacionalismo timorense. Isso por que a...
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