carta de pero vaz de caminha

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29/01/2013 21:14:00
A literatura entre Brasil e Portugal - o labirinto da lusofonia



Por Jorge Sanglard

                                           Ilustração de Jorge Arbach

       O trânsito entre a literatura brasileira e a portuguesa não reflete a importância da criação dos dois países no universo das letras. Mesmo asprofundas diferenças culturais e linguísticas entre Brasil ePortugal não explicam a carência de intercâmbio entre duas forças literárias. Ao reunir a opinião de renomados escritores brasileiros sobre o tema da falta de edições de nossos autores do lado de lá do Atlântico e também do pouco que se edita no Brasil de autores portugueses, procuramos lançar um feixe de luz nesta questão e apontar caminhos para superar esta realidade.
       Segundo o premiadopoeta brasileiro, Iacyr Anderson Freitas, que tem livros lançados em Portugal pela Edições Pasárgada, “todos os que lidam, de forma constante, com a lírica de agora – no caso: escritores, pesquisadores e professores de literatura, principalmente – conhecem bem a absurda dificuldade de se encontrar boas edições, no Brasil, de livros dedicados à poesia portuguesa. Não apenas à poesia portuguesa atual,infelizmente. Excetuados os casos clássicos de Camões e Pessoa – que possuem ampla cobertura editorial no Brasil – os demais poetas foram lançados ao limbo. Não é possível colher, das estantes das livrarias brasileiras, obras de poetas fundamentais à compreensão da lírica portuguesa do século XX, como, por exemplo, José Gomes Ferreira, António Gedeão, Natália Correia, Alexandre O’Neill, DavidMourão Ferreira, Ruy Belo, Manuel Alegre etc. Por outro lado, poetas como Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade estão estampados, no Brasil, em antologias exíguas, pouco compatíveis com a magnitude de suas respectivas obras”.
       Todavia, enfatiza Iacyr, quando visitamos as livrarias portuguesas, percebemos a extensão do problema. O mesmo alijamento editorial, agora voltado para alírica brasileira, ocorre na terrinha. A lusofonia é mesmo uma ficção cruel. Não é possível encontrar livros ou sequer pequenas antologias de muitos dos maiores poetas brasileiros do século XX no mercado editorial português. Quando o assunto chega à produção contemporânea, então, as lacunas são enormes, infelizmente.
       O problema brasileiro é bem mais grave, ressalta o premiado poetabrasileiro, pois sequer alguns de nossos principais poetas – Cassiano Ricardo, Mário Faustino, Henriqueta Lisboa, Paulo Mendes Campos, Raul Bopp, entre outros – podem ser encontrados com facilidade nas livrarias tupiniquins. Sem tal reconhecimento íntimo, por parte dos próprios editores e leitores brasileiros, fica muito difícil avançar no delicado assunto das lacunas existentes.
       E não podemosdeixar de destacar a qualidade dos dois patrimônios líricos envolvidos. Brasil e Portugal possuem, na opinião de Iacyr Anderson Freitas, um conjunto de poetas verdadeiramente invejável, em todos os sentidos. O primeiro passo para a solução deste problema talvez seja o reconhecimento das nossas profundas diferenças culturais e linguísticas. A partir do reconhecimento em questão, políticas comuns deincentivo à leitura devem ser estabelecidas por todos os países lusófonos, não apenas Brasil e Portugal. Sem dúvida, todos teriam a ganhar com esse processo de permuta de obras e autores, enfatiza Iacyr.
       No que concerne aos mercados em questão, Brasil e Portugal, o editor, poeta, jornalista e fotógrafo brasileiro, radicado em Lisboa, Ozias Filho declara já não saber o que pensar. A suaexperiência ao longo de mais de 12 anos anos, quer à frente da gestão editorial da Editora Vozes em Portugal - cuja colaboração terminou em julho de 2011 -, quer como editor das Edições Pasárgada, não será suficiente para perceber a lógica de dois países que falam a mesma língua. Anteriormente, Ozias acreditava que era falta de visão dos editores portugueses, a falta de visão e de não quererem...
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