Capitalismo

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  • Publicado : 29 de março de 2013
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Capitalismo: civilização e poder
Fábio Konder Comparato
RESUMO
Fábio Konder retrata neste artigo sobre a civilização e o poder. Relata que em pleno século XXI, era cristã, todos os povos participam da mesma civilização, a capitalista.
Poucos têm consciência desse fenômeno, primeiro por que o curso dessa evolução histórica só veio a se completar recentemente. A segunda razão, é que, fora docírculo intelectual marxista, o capitalismo sempre foi apresentado, pura e simplesmente, como um sistema econômico.
O autor acredita ter chegado a hora do capitalismo ser conhecido em toda a sua riqueza de sentidos.
Mas, além disso, ressaltou aquele que representou, maior relevância no processo de transformação global da vida em nosso planeta: o poder capitalista.
Civilizações: a herançaindo-europeia
Civilização a reunião de vários povos, que falam línguas da mesma família, partilham da mesma mentalidade coletiva, submetem-se às mesmas instituições de organização social e dispõem do mesmo saber tecnológico. Destacando-se a mentalidade coletiva e as instituições de organização social.
A rigor, não existe uma diferença fundamental entre o conceito de consciência coletiva ou comum deEmile Durkheim e a noção de mentalidade, desenvolvida pelos citados historiadores franceses.
Em sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Letras de Bordeaux em 1893, e intitulada De la division du travail social, Durkheim sustentou que "o conjunto das crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma sociedade forma um sistema determinado, que tem vida própria", e que pode ser chamadoconsciência coletiva ou comum. Além disso, a duração da consciência coletiva é sempre maior do que a das vidas individuais. Os indivíduos passam, mas a consciência coletiva permanece viva e atuante, de geração em geração.
As mentalidades individuais variam enormemente entre si, em razão do patrimônio genético e da influência do meio social onde vivem os indivíduos. A influência da mentalidadecoletiva nas mentes individuais é também muito variada.
No campo da mentalidade coletiva, há sempre, em todas as sociedades, várias espécies.
Já as instituições de organização social formam-se em torno das relações de poder, com base em sistemas normativos. Nas civilizações do passado, tais sistemas eram fundamentalmente costumeiros e locais. Nas civilizações modernas, eles são formados, de modopredominante, por normas escritas.
A estirpe civilizatória indo-europeia
Foi somente a partir de meados do século passado que alguns eminentes estudiosos europeus, fixaram sua atenção sobre uma longa linhagem cultural, envolvendo não apenas línguas, mas mitologias, rituais, formas de organização da sociedade, expressas ou não em obras literárias; linhagem essa que remonta ao terceiro milênioantes de Cristo, época em que uma horda de cavaleiros migrantes, oriundos provavelmente do sul da Rússia atual, invadiu a maior parte do continente europeu e avançou até os confins da Índia.
O conjunto desse enorme acervo cultural articula-se em torno de uma estruturação da sociedade em três grupos distintos: sacerdotes, aristocratas-guerreiros e agricultores.
Trata-se de uma organização socialhierarquizada, na qual os dois primeiros grupos são os únicos a dispor de poder: os sacerdotes sobre as almas e os militares sobre os corpos, enquanto o terceiro grupo permanece sempre sujeito aos demais.
No período republicano, chegou-se a atribuir a magistrados especiais - os censores - o poder de julgar e sancionar os desvios de comportamento pessoal, em todas as categorias de cidadãos, tanto navida privada quanto na pública.
A transição medieval para o mundo moderno
A Alta Idade Média (séculos V a XI) foi, incontestavelmente, o período em que a tripartição social de origem indo-europeia atingiu o seu auge.
A ordem eclesiástica compõe apenas um só corpo, mas a sociedade inteira está dividida em três ordens. A lei reconhece outras duas condições (sociais): o nobre e o servo não se...
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