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6º COLÓQUIO INTERNACIONAL MARX E ENGELS GT 3 - Marxismo e ciências humanas

Sobre a ideia de emergência em Lukács e Bhaskar: para uma defesa da historicidade das estruturas sociais
Rodrigo Delpupo Monfardini*

Introdução A teoria social fundamentada na teoria marxista sempre está em embate com correntes teóricas que negam, de modo explícito ou velado, a historicidade no mundo social. E asteorias que negam a historicidade são dominantes em todas as ciências da sociedade. Podemos afirmar todas, sem perigo de erro, pois são dominantes as teorias que refletem a visão de mundo dominante. E na sociedade capitalista são dominantes as ideias que afirmam a perenidade do capital, sua insuperabilidade. Em suma, são dominantes as teorias que negam a história. Por meio de um argumento filosóficoé possível demonstrar a historicidade das estruturas sociais e, por meio dessa demonstração, oferecer uma base mais sólida para a defesa da história. Um argumento filosófico é necessário visto que o estudo das diversas sociedades, se feito de modo desprovido de uma explícita teoria a respeito do seu desenvolvimento, não é capaz de mostrar a sua historicidade. O estudo da sucessão deacontecimentos não dá de imediato o seu caráter histórico. Onde teóricos do campo marxista vêem sociedades com formas de sociabilidade distintas, teóricos da ortodoxia da ciência econômica, por exemplo, vêem sociedades que estão dentro de uma trajetória de desenvolvimento rumo a uma sociedade de maior consumo e baseada no mercado1. Sociedades que, evidentemente, podem estar seguindo em direção a esse pontofinal da
Mestrando em economia da Universidade Federal Fluminense e membro do grupo de pesquisa Teoria Social e Crítica Ontológica (UFF). E-mail: rodrigodelpupo@gmail.com Em economia há vários exemplos. Rostow, por exemplo, em um livro de nome sugestivo, Etapas do desenvolvimento econômico, afirma que as sociedades passam por cinco etapas, sendo a última, a era de consumo de massas (a sociedadenorte-americana da década de 60), o ponto de chegada. Cf. W. W. Rostow, Etapas do desenvolvimento econômico. São Paulo, Zahar, 1971.
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história ou podem estar estagnadas, paradas no caminho. Como diz a tese DuhemQuine, utilizada nos debates de filosofia da ciência, sobre um mesmo conjunto de dados é possível criar n teorias. Ou seja, todas as teorias se referem ao mundo, e interpretam essemesmo objeto de diferentes maneiras, em muitos casos completamente diversas. Assim, a única base para oferecer um argumento que sustente a história é por meio de um procedimento de abstração, de um argumento filosófico, que dê base para uma explanação do movimento da sociedade que consiga abarcar mais momentos e ser mais explicativo do que as teorias ortodoxas. Somente a teorização desses processos(isto é, somente um argumento teórico ou filosófico) é capaz de nos mostrar a historicidade do mundo social. E dois autores que explicitam essa dimensão e, em nossa opinião, contribuem para tornar mais clara a questão, são o húngaro Györg Lukács e o britâncio Roy Bhaskar. Em ambos aparece a ideia de emergência, que é a base para o seu tratamento da história. Nesse artigo pretendemos apresentar anoção de emergência em cada um dos autores, mostrar a sua proximidade e estabelecer a sua fecundidade na fundamentação de uma teoria da sociedade que seja capaz de dar uma efetiva resposta aos teóricos do fim da história, isto é, a todas as ciências da sociedade que são dominantes.

O conceito de emergência em Roy Bhaskar Roy Bhaskar é um autor britânico que trabalha no campo da filosofia da ciênciae situase na corrente chamada de realismo crítico, que está em oposição com as filosofias da ciência de base positivista. Quando discute a noção de emergência, sua crítica básica é à redução das ciências sociais ao mesmo método das ciências naturais, reducionismo que nega o que há de qualitativamente diferente entre sociedade e natureza. E dessa crítica se deriva a base para afirmar a...
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