As perspectivas e desafios dos profissionais que trabalham com a díade mãe-bebê e o papel do contexto hospitalar nas interações com o recém-nascido

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Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de Psicologia
Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade
Disciplina de Desenvolvimento Humano II – A

Módulo I: A Dependência no Desenvolvimento Emocional
Docente: Profª. Drª. Rita de Cássia Sobreira Lopes
Discentes: Paula Gruman e Stéphanie Strzykalski
Matrículas: 00218495 e 00217655-------------------------------------------------
As Perspectivas e Desafios dos Profissionais que Trabalham com a Díade Mãe-Bebê e o Papel do Contexto Hospitalar nas Interações com o Recém-nascido

Introdução
Optamos por entrevistar uma profissional da saúde que lida diretamente com a díade mãe-bebê. A partir disso, entramos em contato com a Drª. Nádia Friedmann. Sua trajetória profissional se iniciou quando terminoua graduação em Medicina, em 1987, na FURG. Posteriormente, se interessou pela Pediatria e acabou especializando-se na área de Neonatologia. Atualmente, trabalha em dois hospitais –
Nossa Senhora da Conceição e Moinhos de Vento – atuando nas UTIs (unidades de tratamento intensivo) neonatais. Nádia conta com uma equipe multidisciplinar composta por médico plantonista, enfermeira neonatal, técnicode enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo e psicólogo. A Neonatologia estuda o bebê desde seu nascimento até seus 28 dias (em média). Nas UTIs neonatais, os recém-nascidos são prematuros, têm alguma doença ou apresentam a combinação dessas duas condições.
Nosso trabalho problematizará a questão do profissional da saúde na sua relação com o bebê – no caso da nossa entrevistada esua equipe, de um recém-nascido em situação de risco – e com os familiares, nas interações desse bebê com seus familiares no contexto hospitalar, especialmente com a mãe, e a relação pais-bebê no hospital. Daremos ênfase ao papel do psicólogo nesse mesmo contexto e analisaremos sua possibilidade de atuação na área, considerando o que a Drª nos expôs de atividades já realizadas no momento eatividades que poderiam ser desempenhadas por estes profissionais da psicologia. Ateremo-nos a como se dão as interações entre bebê e família no hospital para que possamos melhor compreender qual o sujeito em sofrimento do psicólogo na UTI e de que formas a psicologia pode colaborar nessas situações traumáticas.


A circunstância de risco do bebê, suas implicações na sua história relacional e ocontexto hospitalar nas interações.

Os bebês têm uma necessidade de ter uma história, tanto biológica quanto relacional, as quais são igualmente importantes para seu desenvolvimento. Na Medicina Neonatal, a história biológica da criança é mais significante do que a relacional - esta última trata da inserção infantil na história parental, no contexto social familiar (GOLSE, 2002, p. 120). Percebe-seque a trajetória biológica, neurológica e genética é privilegiada em comparação à relacional na Medicina Neonatal no modo com que os médicos e enfermeiros tratam a mãe, o pai e o paciente-bebê. Este trato com o bebê e com seus familiares em geral se dá em geral sem muito cuidado afetivo, de modo mais objetivo, sem levar tanto em conta os aspectos subjetivos, e com um cuidado voltado mais à saúdefísica da mãe e do bebê.
Na entrevista realizada, algumas situações relacionadas à díade mãe-bebê na UTI neonatal nos chamaram a atenção. Muitas vezes o recém-nascido doente não pode ter contato com os pais por risco de propagar o vírus ou bactéria que está portando. Nesses casos, de isolamento completo, o único contato que os pais podem ter com esse bebê é vê-lo através do vidro. Tocar no filhoou amamentá-lo não são possibilidades. Nádia expôs que, muitas vezes, o bebê vem a falecer e os pais nunca puderam ter contato físico com o filho. Nesses casos, ela permite que os pais peguem o bebê morto no colo. Geralmente, esse contato é muito desejado pelos pais e eles costumam aceitar, mesmo que o recém-nascido tenha falecido. Esses casos de isolamento são aqueles em que a separação...
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