Arte na guerra

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  • Publicado : 14 de maio de 2012
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Que cuidados um historiador deve tomar ao investigar o passado?

O historiador é como um detetive do passado que tem uma busca incessante por pistas que o aproxime de uma resposta para suas indagações. O historiador deve ir atrás de fontes históricas que muitas vezes pedem ser escritas ou pintadas e até mesmo esculpidas. Algumas dessas fontes muitas das vezes não tiveram sua origem para servirde testemunha do passado, mas não é por isso que se deve desconsiderá-las. O historiador deve tomar cuidado com as verdades absolutas, pois o mesmo fato pode ser interpretado de várias maneiras, de acordo com o interesse de quem narrou tal fato ou até mesmo de quem leu. O conhecimento histórico se estrutura numa constante indagação a essas fontes. Ele deve evitar o anacronismo: nunca julgar opassado de acordo com os pensamentos do presente, pois cada época possui a sua ideologia.

A História como uma ciência do presente

Durante uma aula de História é bastante comum ouvir os alunos reclamando sobre qual a função que coisas que já aconteceram teriam em nosso cotidiano. Mesmo sendo desconcertante e, algumas vezes, depreciativa, a questão deve ser problematizada pelo professor em sala deaula. Afinal, enquanto mediador do campo de conhecimento em questão, o professor de História é a figura que tem a habilitação e o dever de demonstrar o valor dos saberes que ele repassa diariamente.

Para discutir tal assunto, o professor pode iniciar um debate falando sobre como o valor das informações influenciam na compreensão de um determinado acontecimento. Tomando um exemplo bastantesimples, como uma contenda entre duas pessoas ou um acidente de trânsito, o professor pode demonstrar que, mesmo quando duas pessoas presenciam um mesmo fato, a forma de se repassar aquilo que aconteceu pode variar bastante.

Contudo, qual seria a relação de tal fato com a compreensão da História? Percebendo que as formas de se narrar um fato corriqueiro variam, o professor tem chances de apontarque a nossa compreensão do presente possa ser completamente variada por meio dos vários documentos que falam sobre o passado. Nesse sentido, sugerimos que a discussão prossiga com o trabalho de um fato histórico que recentemente se desenvolveu.

Pegando a Guerra do Iraque como exemplo, podemos ver que essa mesma questão das “narrativas que contam os fatos” pode ser retomada. Para tanto, sugerimosque o professor trabalhe com um pequeno texto do professor Demétrio Magnoli, onde ele faz a seguinte constatação sobre o recente conflito:

A guerra contra o Iraque detonou outra: a guerra de notícias na mídia global. Agências anglo-americanas divulgaram para o mundo frases e imagens produzidas por repórteres a serviço do governo norte-americano. As agências árabes ou de países contrários àguerra veiculavam a morte de civis e o bombardeio de escolas, hospitais, museus e residências, de tal forma que um estudioso afirmou em um artigo publicado no quarto dia da guerra: “Olhe para as imagens como uma seleção parcial da realidade. Desconfie de todas as notícias. (...) A ofensiva da informação está em curso.” (Magnoli, Demétrio. “Desconfie das notícias; elas também são teleguiadas”. In:Folha de S. Paulo – Mundo, 24 de março de 2003, p.A19.)

Por meio do raciocínio exposto, os alunos podem ver que a Guerra do Iraque foi noticiada por diferentes meios de comunicação que, de acordo com seus interesses, destacavam uns ou outros fatos da guerra. Em consequência a essa ação, o professor pode questionar se, dependendo do meio de comunicação utilizado, as pessoas, governos e instituiçõespoderiam ter visões distintas sobre a posição das nações envolvidas no episódio.

Não só se restringindo a uma mera opinião, a compreensão desse importante fato da história recente seria de fundamental importância para se notar, por exemplo, a relação dos Estados Unidos e Iraque para com as demais nações do mundo. Sendo assim, a forma de se compreender eventos já depositados no passado...
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