Antropologia

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DISCURSO DA HISTÒRIA NOVA
MARC BLOCH

"As gerações imediatamente anteriores às nossas, das últimas décadas do século XIX e dos primeiros anos deste, viveram como que alucinadas por uma imagem muito rígida, uma imagem verdadeiramente contiana das ciências do mundo físico. Alargando ao conjunto das aquisições do espírito esse esquema prestigioso, parecia-lhes não poder existir conhecimento quenão conduzisse, mediante demonstrações, logo irrefutáveis, a certezas formuladas na forma de leis imperiosamente universais. [...] Ora a nossa atmosfera mental já não é a mesma. A teoria cinética dos gases, a mecânica ensteiniana, a teoria dos quanta alteraram profundamente a ideia que ainda ontem toda a gente formava da ciência. Não a apoucaram. Mas tornaram-na mais flexível. Substituíram, emmuitos pontos, o certo pelo infinitivamente provável; o rigorosamente mensurável pela noção de eterna relatividade da medida.[...] Estamos portanto doravante muito mais preparados para admitir que um conhecimento merece o nome de científico ainda que não seja susceptível de demonstrações euclidianas ou de imutáveis leis de repetição. Aceitamos muito mais facilmente fazer da certeza e do universalismouma questão de grau. Não sentimos já a obrigação de procurar impor a todos os objectos do saber um modelo intelectual uniforme, haurido nas ciências da natureza física; pois que até nesse domínio tal modelo deixou de ser inteiramente aplicado. Ainda não sabemos bem o que virão um dia a ser as ciências do homem. Sabemos que para existirem - continuando é claro a obedecer às regras fundamentais darazão - não terão de renunciar à sua originalidade, nem envergonhar-se dela". Marc Bloch, Introdução à História, pp.21-22.


LUCIEN FEBVRE.


"Tal é o clima da Ciência de hoje. Um clima que já não tem nada em comum com o da Ciência do passado — da Ciência do tempo em que eu tinha vinte anos. Os postulados sobre os quais essa Ciência assentava estão todos abalados, criticados,ultrapassados. Há anos que os cientistas renunciaram a eles e os substituíram por outros. E então eu faço uma pergunta, uma simples, uma única pergunta: Vamos ser nós historiadores os únicos a continuar a tê-los como válidos? E aliás que valeria esse nosso reconhecimento, se é verdade que todo o material de noções científicas que utilizamos, o recebemos precisamente dos homens que, há várias dezenas deanos, cultivavam as ciências no sentido napoleónico da palavra, as ciências do mundo físico e da natureza? Não será tempo de substituir essas velhas noções caducas por noções novas, mais exactas, mais aproximadas? Não será, pelo menos, tempo de renunciar, de uma vez por todas, a apoiar-nos nas ciências de há 50 anos para escorar e justificar as nossas teorias — uma vez que as ciências de há 50anos não são mais do que recordações ou fantasmas? Essa a pergunta. Responder-lhe, seria resolver a crise da história. E se é verdade que as ciências são todas solidárias — a resposta é conhecida de antemão. Inútil professá-la solenemente". (Lucien Febvre, Combates pela História, vol. I, p. 54).


“A História que considero o estudo, cientificamente conduzido, das diversas actividades e dasdiversas criações dos homens de outrora, tomados na sua data, no quadro de sociedades extremamente variadas e contudo comparáveis umas com as outras (é um postulado da sociologia), com as quais encheram a superfície da terra e a sucessão das épocas. (...(
É assim que, em primeiro lugar, qualifico a história como um estudo cientificamente conduzido, e não como um ciência (...(: pela razão de quefalar de Ciências é antes de tudo evocar a ideia de uma soma de resultados, de um tesouro, se quiserem, mais ou menos recheado de moedas, umas preciosas, outras não; não é acentuar o que é a força motora do sábio, isto é, a Inquietação, o repor em causa não perpétuo e maníaco, mas pensado e metódico, das verdades tradicionais – a necessidade de recomeçar, de refazer, de repensar quando é...
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