Antropologia

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  • Publicado : 17 de junho de 2012
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RESUMO SOBRE A ANTROPOLOGIA BRASILEIRA

Talvez a melhor maneira de dar conta do desempenho da Antropologia no Brasil seja traçar-lhe a história. Seria, porém, temerário tentar fazê-lo dentro dos limites de espaço e de tempo de que aqui dispomos, uma vez que essa tarefa exigiria o exame cuidadoso de um número razoavelmente grande de livros e artigos que existem.
O fato de a antropologiater se consolidado no Brasil como uma das ciências sociais é pleno de conseqüências, se comparamos o caso brasileiro com o desenvolvimento da disciplina em outros contextos, especialmente nos centros reconhecidos de produção intelectual. Mas, mesmo como uma das ciências sociais, a antropologia no Brasil manteve a dimensão de alteridade que é característica fundante da disciplina. É no período quecompreende as décadas de 60 e 70 que a antropologia no Brasil começa a se ver como uma genuína ciência social – isto é, como um ramo da sociologia dominante dos anos 40 e 50. Penso não ser exagero usar como metáfora o fato de a antropologia ter se desenvolvido como uma “costela” da sociologia então hegemônica. No entanto, para se constituir como antropologia nesse contexto, foi necessário manter edesenvolver um estilo sui generis de ciência social, no qual uma dimensão de alteridade assumisse a dupla função de produzir uma antropologia no Brasil e do Brasil.
AS FASES DA ANTROPOLOGIA NO BRASIL.
1. Cronistas
É comum entre os antropólogos brasileiros chamar de “cronistas” aqueles autores que, apesar de não serem cientistas sociais, seja porque as Ciências Sociais ainda nãoexistissem, seja porque eles se dedicassem a outros misteres, deixaram relatos em que registram suas experiências com a população de determinados locais ou regiões do Brasil e suas observações a respeito dela. São, pois, cronistas, numerosos navegadores, missionários, diplomatas, empresários, militares, naturalistas, que, desde o momento em que Cabral tocou o litoral brasileiro até o presente século,visitaram o Brasil, ou aqui moraram temporariamente, ou mesmo chegaram a se estabelecer, deixando o registro de seus contatos com a população. Por conseguinte, a conhecida carta de Pero Vaz de Caminha teria sido a primeira dessas “crônicas”.
Se tais autores não foram propriamente antropólogos, porque tratar deles neste roteiro? É que, na inexistência ou ausência do cientista social, eles nos deixaramregistros de observações diretas, espontâneas, ainda que não controladas. Somente os naturalistas tinham sido educados de maneira a manter uma certa disciplina em suas observações, mas, de qualquer maneira, ao lidar com fenômenos sociais, deparavam com um objeto cujas peculiaridades não permitem o mesmo tratamento que os fenômenos físicos e biológicos.
O sociólogo Florestan Fernandes, queescreveu duas excelentes monografias sobre os Tupinambás, povo indígena que se extinguiu no século XVII, teve o cuidado de procurar demonstrar num artigo (Fernandes, 1949) como é rica a informação que os cronistas deixaram sobre esse povo e como é possível fundamentar sobre ela uma reconstituição do sistema social Tupinambá, como ele fez, utilizando-se, no caso, do método funcionalista. Para mostrar aconsistência do conteúdo etnográfico do relato dos cronistas, Fernandes se demora no exame das informações e descrições que deixaram sobre a situação do prisioneiro no grupo local inimigo.
2. Etnologia
No Brasil atual não é raro ouvir-se falar de “Etnologia” quando se trata de estudos referentes a sociedades indígenas, excluindo-se da classe rotulada por esse termo aquelas pesquisasreferentes a temas urbanos ou rurais. Vamos aqui tomar “Etnologia” num sentido mais amplo, como parte da Antropologia Cultural ou Social que abrange os estudos em que o pesquisador entra em contato direto, face a face, com os membros da sociedade, ou segmento social estudado, contrastando-a com a Arqueologia, que abarca as pesquisas apoiadas em vestígios deixados por sociedades desaparecidas ou por...
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