Adamastor

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Português

O Mostrengo /Adamastor

Trabalho elaborado por:


Lisboa,30 de Janeiro de 2012

Introdução

Realizei este trabalho no âmbito da disciplina de Português leccionada pela Professora Susana Machado. O tema do meu trabalho é “O Mostrengo” / Adamastor, que são ambos a mesma “pessoa” mas em poemas diferentes escritos por autores diferentes, mas os dois simbolizam a dificuldade queos portugueses tiveram no Cabo da Boa Esperança. Na primeira parte elaborei um pequeno resumo sobre a biografia do Adamastor. Na segunda parte realizei a análise de dois poemas de dois autores diferentes. Um de Fernando Pessoa e outro do Luís de Camões. A análise vai ser tanto interna como externa em ambos os poemas. Por último fiz uma comparação dos dois poemas.

História do Adamastor

Seunome surge pela primeira vez por Sidónio Apolinário e também por Claudano.
É um mítico gigante baseado na mitologia greco-romana.
Teve uma paixão pela ninfa Tétis, filha de Dóris, mas ela rejeitou-o pela sua figura gigantesca e monstruosa e seu aspecto imundo, terrível e medonho.
Pelo desgosto frustrado de amor ele se tornou um rochedo e simboliza o Cabo das Tormentas. Após a passagem doBartolomeu Dias a 1ªvez pelo Cabo das Tormentas em 1488, o Rei D. João II de Portugal mudou-lhe o nome para o actual Cabo da Boa Esperança.
Luís de Camões utilizou o Adamastor sendo o monstro que destruía as naus portuguesas para não descobrirem a rota marítima para a Índia.
Simboliza também a série de perigos e dificuldades que os Portugueses tiveram de enfrentar e vencer.

Figura Nº2: AdamastorAdamastor

37
Porém já cinco sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.
38
Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo, o negro marde longe brada,
Como se desse em vão nalgum rochedo.
"Ó Potestade (disse) sublimada:
Que ameaço divino ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor cousa parece que tormenta?"
39
Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonhae má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.
40
Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mi e atodos, só de ouvi-lo e vê-lo!
41
E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas
E navegar nos longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados d’estranho ou próprio lenho:
42
Pois vens ver os segredos escondidosDa natureza e do húmido elemento,
A nenhum grande humano concedido
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mi que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento,
Por todo largo mar e pola terra
Que inda hás de sojugar com dura guerra.
43
Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem, de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem,
Com ventos e tormentasdesmedidas!
E da primeira armada, que passagem
Fizer por estas ondas insofridas,
Eu farei d’improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo!

44
Aqui espero tomar, se não me engano,
De quem me descobriu suma vingança.
E não se acabará só nisto o dano
De vossa pertinace confiança:
Antes, em vossas naus verei, cada ano,
Se é verdade o que meu juízo alcança,
Naufrágios,...
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