Acumulacao flexivele capital fetiche

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  • Publicado : 7 de dezembro de 2012
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Este texto objetiva expor algumas das mudanças que ocorreram no chamado “mundo do trabalho” ao longo das últimas décadas. Trata-se unicamente da exposição das causas econômicas e políticas do processo de metamorfose do modo de produção capitalista, apontando algumas das conseqüências mais gerais para os trabalhadores.



Consideramos a presente reflexão um ensaio introdutório, visandoapresentar ao leitor parte do debate sobre a transição do paradigma fordista de produção para a acumulação flexível do capital e as conseqüentes mudanças nas relações de trabalho, nas estratégias organizacionais, nas estruturas produtivas e nas filosofias empresariais. Dentre estas, destacamos a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) como marca discursiva e estratégia de flexibilização das relações detrabalho, uma vez que altera as dinâmicas organizacionais e coloca o trabalhador num patamar distinto do homo faber fordista.

É preciso alertar que atualmente existem muitos discursos administrativos que proclamam a qualidade de vida no trabalho como um fato e uma exigência para as empresas modernas. Deste ideológico argumento nos afastamos substancialmente, pois as regras do jogo estipuladas nasúltimas décadas demonstram exatamente o contrário, isto é, uma enorme precarização das condições e relações de trabalho em nível global. Assim como mostrou Marx (1983, p. 263), “o motivo que impulsiona e o objetivo que determina o processo de produção capitalista é a maior autovalorização possível do capital, isto é, a maior produção possível de mais-valia, portanto, a maior exploração possível daforça de trabalho pelo capitalista”. Assim sendo, a exploração muda positivamente de forma, mas não de conteúdo.

Outro aspecto que merece atenção antes do prelúdio ao debate diz respeito à substancial heterogeneidade do mundo do trabalho hoje, que não permite tratar determinadas categorias de forma homogênea. Por exemplo, falar de qualidade de vida no trabalho (QVT) de uma forma genérica escondeuma conclusão muito pertinente e relevante nos estudos da sociologia e da economia do trabalho, ou seja, que o fenômeno se manifesta apenas setorialmente. Como afirma Leite (2000, p. 69-70):



“Os efeitos relacionados às melhorias das condições de trabalho, principalmente no que se refere à estabilidade, remuneração e qualificação da mão-de-obra – que muitos dos primeiros estudos sobrereestruturação produtiva identificavam nas empresas líderes dos setores de ponta dos países avançados - não atingem o conjunto do mercado de trabalho como se pressupôs inicialmente, mas apenas uma parcela dele”.

Interessa agora, pois, problematizar sobre essa heterogeneidade e apontar algumas das conseqüências mais gerais do atual desenvolvimento econômico capitalista para os que vivem da venda desua força de trabalho.



Fordismo e Toyotismo: notas para pensar a transição

Para a compreensão das mudanças que ocorreram no chamado “mundo do trabalho” deve-se analisar, no âmbito econômico, a transição do modelo de acumulação capitalista intitulado genericamente de fordismo para um outro didaticamente oposto, isto é, a acumulação flexível do capital ou toyotismo. Muito embora algunsautores apontem para a existência de modelos mistos de produção, ou seja, mesclas pontuais do fordismo no toyotismo e vice-versa, no geral estas formas de produção e organização do trabalho são didaticamente as mais evidentes e distintas no sentido global.

No novo modelo toyotista emergiram princípios organizacionais e tecnológicos para o trabalho flexível, tais como Círculos de Controle daQualidade (CCQs); Just-in-Time; Kanban; Controle da Qualidade Total; Células de Produção; Trabalho em Equipe; trabalho polivalente, Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), etc., além da glorificação da tecnologia como “perfeição do paradigma moderno[2]” (MUZIO, 1999). Indissociavelmente importante é a dimensão política do processo, isto é, aquela ligada ao “abandono” de alguns ideais regulatórios e a...
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