T out l ' art se joue dans un coup de dés : o s ecos proféticos de uma viagem marítima interrompida

Páginas: 21 (5167 palavras) Publicado: 1 de junho de 2013
TOUT L'ART SE JOUE DANS UN COUP DE DÉS: OS ECOS PROFÉTICOS DE UMA VIAGEM MARÍTIMA INTERROMPIDA • A abertura, inter-medialidade e práticas de apropriação na poesia de Mallarmé “Toute pensée émet un coup de dés”
(Mallarmé, Un Coup de Dés Jamais n'Abolira le Hazard)

“C’est que, la musique étant pour tous un art, la peinture un art, le statuaire un art,—et la poésie n’en étant plus un (en effetchacun rougirait de l’ignorer, et je ne sais personne qui ait à rougir de n’être pas expert en art), on abandonne musique, peinture et statuaire aux gens du métier, et comme l’on tient à sembler instruit, on apprend la poésie.”
(Mallarmé, Hérésies artistiques - L'Art pour tous)

Longe de ignorado, apenas tardiamente Mallarmé se tornou um poeta, mesmo que parcialmente, compreendido. Embora a suaescrita enigmática tenha desde logo suscitado o interesse dos teóricos, algo sempre parecia escapar a cada aproximação destes ao poeta simbolista. Faltava, certamente, ao pensamento da época, a capacidade de romper com as fronteiras da especificidade e da unicidade que se procuravam erguer como delimitações impermeáveis de categorias disciplinares nas quais cada objecto artístico deveria encontraro seu lugar. Contudo, a tendencial confinação do objecto artístico a um domínio definível pela sua materialidade, isto é pela sua constituição num suporte material específico, num medium particular pelo qual esse mesmo objecto de constitui não como Arte mas como um determinado tipo de arte, firmemente delimitada, estruturada por regras e convenções intrínsecas a tais limites que anularia,portanto, a possibilidade de comunicação interdisciplinar, a constituição inter-medial ou até inter-artística de determinada obra de Arte que, nesta derrocada daquele que Greenberg identificava como sendo o verdadeiro programa da Arte Moderna, não poderia ser mais uma arte de produção objectos artísticos (a objectificação, a reificação de uma materialidade específica, num medium uno e único que define eacolhe a obra). Mesmo não excluindo, de todo, a importância da materialidade, do medium ou media que a proporcionam, já não são estes a definir aquilo que a “Arte é..”, pois o que a “Arte é...” é experiência artística, evencialidade, a experiência, mais que sensorial, sensível que integra a vivência do receptor aquando do seu contacto com a obra, ou, melhor dizendo (uma vez que na suaespecificidade mediática, o objecto artístico não deixava de ser associado à experiência sensorial que proporcionava, estando, p.e., a pintura para a visualidade como a escultura para a tactibilidade), é aquando do seu encontro com este terceiro que a Arte verdadeiramente existe, que a obra se

concretiza, no encontro entre duas intenções, duas sensibilidades, dois gestos que, ainda assim, podem não dizertoda a obra a cada momento de confluência, efectivando-se, ao invés, somente um de inúmeros possíveis modos de existência da mesma. Neste último salto, transcendeu-se já a arte estética, enquanto pura experiência sensível do belo e consequente ajuização do objecto caminhando-se, então, em relação ao domínio que, este sim, sempre passou ao lado de tantos quanto procuraram perceber e fazer percebera obra de Stéphane Mallarmé: a abertura da obra à permanente incompletude, realizando-se, a cada momento de recepção, pela participação do receptor/operador na feitura da própria obra, apenas possíveis formas da sua efectivação, no limite, tão múltiplas quanto o maior número de possíveis receptores. Era essa a ambição de Mallarmé em Livre, criar numa obra um par de dados de tal modo multifacetadoque, tomado em mãos pelo leitor, lance algum extinguiria as possibilidades. Tal empreendimento,contudo, afigurou-se demasiado magnânimo para poder ser realizado no período que passou até que o arquitecto deste edifício corpuscular,combinatório, infinitamente transfigurável, o compositor desta obra dentro de cuja estrutura hermética e circular (sem começo ou fim) se abre a fenda ao infinito,...
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