O Caso da Vara

Páginas: 97 (24164 palavras) Publicado: 7 de abril de 2014
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Texto-fonte:
Obra Completa, de Machado de Assis, vol. II,
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
Publicado originalmente pela Editora Garnier, Rio de Janeiro, 1899.

ÍNDICE
PREFÁCIO
O CASO DA VARA
O DICIONÁRIO
UM ERRADIO
ETERNO!
MISSA DO GALO
IDÉIAS DO CANÁRIO
LÁGRIMAS DE XERXES
PAPÉIS VELHOS

PREFÁCIO
Quelque diversité d'herbes qu'il y ayt,
tout s'enveloppesous le nom de salade.
MONTAIGNE, Essais, liv. I, cap. XLVI
Montaigne explica pelo seu modo dele a variedade deste livro. Não há que repetir
a mesma idéia, nem qualquer outro lhe daria a graça da expressão que vai por
epígrafe. O que importa unicamente é dizer a origem destas páginas.
Umas são contos e novelas, figuras que vi ou imaginei, ou simples idéias que me
deu na cabeça reduzir alinguagem. Saíram primeiro nas folhas volantes do
jornalismo, em data diversa, e foram escolhidas dentre muitas, por achar que
ainda agora possam interessar. Também vai aqui Tu só, tu, Puro Amor... comédia
escrita para as festas centenárias de Camões, e representada por essa ocasião.
Tiraram-se dela cem exemplares numerados que se distribuíram por algumas

estantes e bibliotecas. Uma análise dacorrespondência de Renan com sua irmã
Henriqueta, e um debuxo do nosso antigo Senado foram dados na Revista
Brasileira, tão brilhantemente dirigida pelo meu ilustre e prezado amigo José
Veríssimo. Sai também um pequeno discurso, lido quando se lançou a primeira
pedra da estátua de Alencar. Enfim, alguns retalhos de cinco anos de crônica na
Gazeta de Notícias que me pareceram não destoar dolivro, seja porque o objeto
não passasse inteiramente, seja porque o aspecto que lhe achei ainda agora me
fale ao espírito. Tudo é pretexto para recolher folhas amigas.
MACHADO DE ASSIS

O CASO DA VARA
Damião fugiu do seminário às onze horas da manhã de uma sexta-feira de agosto.
Não sei bem o ano; foi antes de 1850. Passados alguns minutos parou vexado;
não contava com o efeito que produzianos olhos da outra gente aquele
seminarista que ia espantado, medroso, fugitivo. Desconhecia as ruas, andava e
desandava; finalmente parou. Para onde iria? Para casa, não; lá estava o pai que
o devolveria ao seminário, depois de um bom castigo. Não assentara no ponto de
refúgio, porque a saída estava determinada para mais tarde; uma circunstância
fortuita a apressou. Para onde iria?Lembrou-se do padrinho, João Carneiro, mas o
padrinho era um moleirão sem vontade, que por si só não faria coisa útil. Foi ele
que o levou ao seminário e o apresentou ao reitor:
— Trago-lhe o grande homem que há de ser, disse ele ao reitor.
— Venha, acudiu este, venha o grande homem, contanto que seja também
humilde e bom. A verdadeira grandeza é chã. Moço...
Tal foi a entrada. Pouco tempo depoisfugiu o rapaz ao seminário. Aqui o vemos
agora na rua, espantado, incerto, sem atinar com refúgio nem conselho; percorreu
de memória as casas de parentes e amigos, sem se fixar em nenhuma. De
repente, exclamou:
— Vou pegar-me com Sinhá Rita! Ela manda chamar meu padrinho, diz-lhe que
quer que eu saia do seminário... Talvez assim...
Sinhá Rita era uma viúva, querida de João Carneiro; Damiãotinha umas idéias
vagas dessa situação e tratou de a aproveitar. Onde morava? Estava tão
atordoado, que só daí a alguns minutos é que lhe acudiu a casa; era no Largo do
Capim.
— Santo nome de Jesus! Que é isto? bradou Sinhá Rita, sentando-se na
marquesa, onde estava reclinada.
Damião acabava de entrar espavorido; no momento de chegar à casa, vira passar
um padre, e deu um empurrão à porta, quepor fortuna não estava fechada a
chave nem ferrolho. Depois de entrar espiou pela rótula, a ver o padre. Este não
deu por ele e ia andando.

— Mas que é isto, Sr. Damião? bradou novamente a dona da casa, que só agora o
conhecera. Que vem fazer aqui?
Damião, trêmulo, mal podendo falar, disse que não tivesse medo, não era nada; ia
explicar tudo.
— Descanse; e explique-se.
— Já lhe digo;...
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