A sociedade de massas segundo Hannah Arendt

Páginas: 6 (1308 palavras) Publicado: 23 de junho de 2013
A sociedade de massas segundo Hannah Arendt
Numa primeira observação do pensamento filosófico de Arendt, confirmam-se algumas das principais preocupações da filósofa no que se refere, sobretudo, à automatização da vida moderna, isto é, à massificação, fenômeno que consiste na insuficiência do homem moderno em desempenhar a atividade política enquanto atividade por excelência. Isso acontecedevido ao declínio da esfera pública – queda causada por fatores históricos que tentam uma atitude simplesmente subjetiva do homem frente ao mundo, que causa a ascensão do homem-massa, levando ao que Arendt chama de “a alienação do mundo” ou o deslocamento geral, ou ainda, a trajetória, na história moderna, da sociedade de classes para a sociedade de massas.
Podemos dizer que ao longo da história dahumanidade, sempre existiu, em cada sociedade organizada, um número abundante de pessoas apáticas, sem interesse comum referente à coisa pública. Mas é preciso destacar que nunca houve uma transformação da raça humana em massa tal como houve na modernidade.
Segundo Hannah Arendt, esse fenômeno provocou um tipo de ser degenerado que vaga pelas ruas das grandes cidades como sonâmbulo, que já nãopode mais ser tratado como humano. Dessa maneira, pode-se dizer que o surgimento da sociedade de massa deve ser entendido como um dos principais momentos de uma história que obteria seu auge quando o homem fosse reduzido a uma única identidade de reações previsíveis, formado pelas ideologias totalitárias.
Esse conjunto de referências sociais, que nos dá uma visão da sociedade da Era Moderna, foierguido gradativamente, por processos históricos, que terminaram no avanço das massas modernas, uma vez que as massas são reconhecidas pelo grande número de seres dispensáveis descartáveis. Para entendermos o que vem a ser o fenômeno conhecido como sociedade de massa precisamos identificar seu princípio básico que, segundo Hannah Arendt, se constitui como sendo o término da sociedade de classes.Segundo Arendt, com o enfraquecimento dos Estados-nações não houve mais a luta pelo interesse de uma classe específica, sem a qual um indivíduo não pode ser reconhecido pela camada na qual ele se encontra. A pirâmide social foi destruída, pela base, devido a uma sociedade de consumo, o que levou a um intenso desinteresse pela coisa pública. A preocupação pelo interesse de um grupo ou de umaclasse foi substituída pela preocupação da sobrevivência de “cada um”. A indiferença e a hostilidade para com assuntos de caráter coletivo assim começaram. Essas provocaram uma reunião de seres homogêneos e desprovidos de representação política, devido à falta de organização da sociedade em diversas classes, onde cada uma possuía seu interesse específico e todos que constituíam essa classe tinham uminteresse comum. Ao contrário, nota-se, a partir desse momento, a existência de uma busca desenfreada pelo “possuir e consumir” o maior número possível de bens. Não existindo mais o princípio de individualização social, originado pela formação de camadas sociais, os homens tornaram-se uma unidade homogênea, onde não se pode diferenciar um indivíduo do outro. Não há mais indivíduos, mas apenas seresda mesma espécie. Demonstra-se que a sociedade de massa, na perspectiva arendtiana, a fim de compreender um grande número de indivíduos que não têm nenhum tipo de interesse comum, caracteriza-se por ser um agrupamento de pessoas que nunca participarão de um partido político ou um conselho de bairro, pois lhes falta a substância capaz de agregá-los em uma ação conjunta.
Ou seja, falta-lhes acerteza de pertencerem a um mundo comum, repleto de interesses comuns que, para sua sustentação, depende principalmente do poder que provém da ação humana conjunta.
Essa afirmação demonstra que eles não mais pertencem ao mundo, ou seja, o mundo não mais é visto como o lar dos homens e, para que continue sendo às gerações futuras, é preciso preservá-lo: suas instituições, leis, prescrições morais,...
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