A história da morte no ocidente

Páginas: 9 (2060 palavras) Publicado: 10 de agosto de 2012
Resumo e Comentário:- A História da Morte no Ocidente

“Podes comer de todas as árvores do jardim;
mas não comas da árvore da ciência do bem e do mal;
porque no dia em que dela comeres, morrerás indubitavelmente.”
(Bíblia; Gênesis 2:16)

Introdução
Uma simples observação e a mentalidade primitiva percebeu a presença da morte no mundo. Ao prestar atenção a este eventonatural e corriqueiro na existência de todos os seres, abriu-se para a humanidade a percepção de outra dimensão, agora como mortais. Uma percepção de uma realidade irreversível e inerente à vida. Mas o que surgiu primeiro, a percepção da morte ou da vida?
Algumas perguntas como esta deram origem a um estudo mais detalhado de como as sociedades têm lidado com a morte, fenômeno que sempre estevepresente em suas histórias, e que em algum momento, começa a ser observado. Um assunto extenso, que o autor Philpp Ariès trata em seu livro “História da Morte no Ocidente” sob o ponto de vista histórico e sociológico. Ariès faz uma análise das atitudes diante da morte, desde a morte domada, na Idade Média onde as pessoas tinham uma postura religiosa, até a morte interdita ou selvagem, como emnossos dias, onde há a total negação por parte da sociedade. As pesquisas do autor falam sobre o conceito da morte caminhando pelo tempo, ignorando sua passagem e não fazendo distinção entre ricos ou pobres, velhos, jovens ou crianças. Ela vem a qualquer tempo e para todos.

I - A Morte domada:
Na Idade Média, século XII, a relação com a morte se dava de maneira natural, familiar e semquestionamentos. As pessoas estavam em tal sincronia com os ciclos naturais da vida que, pressentiam e sentiam o momento derradeiro que se aproximava, através de sinais físicos específicos, e se preparavam para ele conforme os orientavam as liturgias. Havia toda uma formalidade ritualística para tal momento. Durante muitos séculos, essa percepção da morte perdurou entre as civilizações cristãs do Ocidente.O ritual consistia em gestos herdados dos costumes ancestrais, o que dava àquele tempo uma maior consistência e uma percepção quase estática da realidade. O moribundo no leito, rodeado por seus parentes e amigos, cumpria assim as formalidades: o lamento da vida, o pedido de perdão aos companheiros, a prece declarando a própria culpa a Deus e recomendando sua alma aos céus, recebia a absolviçãoministrada pelos sacerdotes, rezava a última prece e a aguardava pela morte em silêncio. E assim, numa cerimônia pública com todos os presentes, inclusive as crianças, aguardava-se a morte, de forma simples e sem caráter dramático.
Os enterros se davam fora das cidades, e a crença geral era de que os mortos dormiam aguardando o Juízo Final, porém separados em outro espaço. Não havia uma preocupaçãocom o corpo, pagãos e cristãos eram enterrados juntos. O culto aos mártires de origem africana inspirou o culto aos santos e suas igrejas. Cemitério e templo passam então a significar a mesma coisa, mas isto não se restringia só à construção e sim a todo espaço em volta, atenuando assim as repulsas, pois o túmulo do santo seria o centro de um templo.
“A mortenão é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.” Epicuro

II - A Morte de si mesmo
Com a percepção da separação de si mesmo e do outro causada pela morte (século XIII), as desconfianças se tornam preocupações individuais e levam estes indivíduos da Idade Média a uma tentativa de racionalização e de ordenação das coisas de seumundo. Passam então a deixar suas ordens escritas e gravadas para que não sejam esquecidas.
Os homens numa tentativa imperceptível (para eles) de eternização, imortalizam também os santos de sua devoção, apegando-se à crença que depois da morte eles passam a viver na dimensão divina, ao lado de Deus, interagindo com os humanos. Nada muito diferente dos antigos cultos pagãos e suas divindades,...
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