Senso Comum 1

Páginas: 5 (1079 palavras) Publicado: 5 de junho de 2015
Senso Comum

A expressão senso comum (também designado por pensamento comum ou por conhecimento vulgar) corresponde a um dos níveis de conhecimento e designa o conhecimento espontâneo que temos das coisas que nos rodeiam e das quais estamos próximos no nosso dia-a-dia. Este tipo de conhecimento é precisamente o resultado da familiaridade do indivíduo com uma realidade que enfrenta diretamente eque permite pensamento comum. É geralmente muito superficial e com um forte cariz prático, sendo partilhado por todos numa determinada cultura e transmitido de forma acrítica de geração em geração. Apesar das vantagens do senso comum, nomeadamente porque permite ao homem orientar-se no mundo, manejar as coisas e resolver os problemas mais prementes e imediatos do quotidiano, um conhecimento destetipo apenas permite captar o "mundo da aparência" e não o "mundo real" .

Na história da filosofia, o problema do senso comum sempre foi um ponto de enorme importância e grandes debates. Os filósofos clássicos, como Sócrates, Platão e Aristóteles, dedicaram-se a refletir sobre isso e situar esse tema dentro dos problemas que interessam à reflexão filosófica.
Grosso modo, o sentido mais profundo daexpressão “senso comum” remete ao tipo de experiência que é propriamente humana, isto é, a experiência do sofrimento ou a experiência tradicional. Um dos elementos que tornam o homem diferente das outras criaturas é a sua capacidade de refletir sobre o sofrimento, de saber que vai morrer, que pode ser acometido por catástrofes, doenças, etc. A experiência tradicional nos dá os elementos para acompreensão de nossa condição de seres falíveis. As tragédias antigas (tão valorizadas por Aristóteles) davam conta dessa experiência. A literatura moderna e contemporânea também o faz.
Sendo assim, o senso comum é o tipo de saber que busca fornecer orientação ao homem e não deixá-lo repetir os erros do passado. Por intermédio da experiência, o homem pode exercer virtudes, como a prudência e apaciência, e aprender a não se deixar levar por aventuras emocionais, que o desviam para a irracionalidade, bem como não se deixar levar por “sonhos racionais” de progresso a qualquer custo. Como disse o pintor espanhol Goya, “O sonho da razão produz monstros”.
O conceito de senso comum sofreu certa desvalorização após o período do Renascimento. O humanismo renascentista foi a última corrente dereflexão que levava em conta o potencial orientador do senso comum. A partir do século XVII, sobretudo com o desenvolvimento da ciência moderna e da filosofia racionalista cartesiana, o senso comum passou, de forma geral, a ser identificado como “falta de rigor metodológico” e a ser rivalizado com o “senso crítico” ou “senso científico”. Dessa forma, até o início do século XX, eram poucas as defesasfilosóficas que se faziam do senso comum, haja vista que a expressão havia sido alijada de seu sentido tradicional.
Os filósofos ligados à fenomenologia e à hermenêutica do século XX, como Heidegger e Gadamer, passaram a refletir novamente sobre o senso comum, colocando-o diante do problema da historicidade, isto é, da experiência histórica humana. Autores de outras tradições, como o católico leigo G.K. Chesterton, também passaram a fazer, ao seu modo, a defesa do senso comum, sobretudo recuperando o seu sentido tradicional
Podemos assim caracterizar o senso comum como o conhecimento que:
. parte de analogias que muitas vezes nada têm de lógico;
. generaliza sem que as suas conclusões ou deduções possam ser consideradas corretas;
. apesar de ter um objetivo concreto, traduz um conjuntoincompleto de atos de conhecimento;
. não aspira ao conhecimento universalmente válido nem atinge a realidade profunda das coisas.

O senso comum transporta e naturaliza um conjunto de convenções implícitas ou intrínsecas ao agir humano coletivamente dimensionado. Neste sentido, ele é conducente ou solidário de uma aceitação que assinala uma passividade inerente e indispensável face às...
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