Relação Terapêutica em um Caso de Fobia Social1

Páginas: 6 (1291 palavras) Publicado: 17 de setembro de 2014
Relação Terapêutica em um Caso de Fobia Social1

Há um grande número de estudos so-bre a natureza dos Transtornos de Ansiedade. A ansiedade caracteriza-se pela presença dos seguintes sintomas: tensão, preocupação, irritação, angústia, dificul-dade de concentração, tonturas, cefaleia e dores musculares. O indivíduo com inten-sas “crises de ansiedade” (ou melhor, alte-rações comportamentais,como as citadas) evita o contato ou a exposição a determi-nadas situações por temer uma possível perda de controle ou um ataque cardíaco. Assim, esse indivíduo visa o controle de eventos relatados como “internos” e “exter-nos”, havendo uma tendência de esquiva de situações que envolvam um maior grau de ansiedade (Caballo, 1996/2002; Dal-galarrondo, 2000. Ver também o capítulo de Bravin e de-Farias eo de Fugioka e de-Farias neste livro).
Dentre os diversos transtornos de an-siedade, destaca-se aqui a fobia social, que se caracteriza por um medo intenso de situações sociais que envolvam um grupo de pessoas, de falar em público, de conta-to com pessoas estranhas e com pessoas que possam ser consideradas superiores a ela (APA, 2002; Campbell, 1986; Falco-ne, 1999).
Muitas explicações dessestranstornos baseiam-se em fatores biológicos, neuroló-gicos e químicos. Para os analistas do com-
portamento, que consideram a Psicologia como ciência que visa investigar relações organismo-ambiente, essas explicações não seriam satisfatórias. Isso não quer dizer que os analistas do comportamento excluam afirmações sobre os fatores acima citados, mas somente que descartam expli-cações que não levemem consideração a totalidade das interações entre organismo e seu ambiente, do qual o biológico seria apenas uma parte. Assim, os comporta-mentalistas não separam a pessoa de um “eu essencial” ou entidade localizada atrás do indivíduo, e sim estudam o indivíduo na sua relação com o ambiente passado e atual (Skinner, 1953/1998, 1974/1993 e 1989/1991; Todorov, 1989).
Não se pode dizer que essavisão é a mais comum em Psicologia. Os analistas do comportamento têm sido denomina-dos simplistas/reducionistas, o que de-monstra o mau conhecimento, por parte dos críticos, da filosofia que embasa sua abordagem: o Behaviorismo Radical. Es-sas críticas decorrem, provavelmente, da sua história.2 Watson, fundador do Beha-viorismo, defendia o ideal de que somente uma ciência cujo objeto de estudo fossepublicamente observável seria confiável. Propôs, então, fazer da Psicologia o estu-do das leis que regem dois tipos de even-tos publicamente observáveis: os estímulos (S) e as respostas (R), leis que possibilita-
2 Ver o capítulo de Marçal, neste livro, para maior discussão acerca das críticas formuladas ao Behavio-rismo.
Capítulo 14
Relação Terapêutica em um Caso de Fobia Social1
LucianaFreire Torres
Ana Karina C. R. de-Farias
1 O presente trabalho é parte da monografia de con-clusão do curso de graduação em Psicologia, na Uni-versidade Católica de Goiás, defendida pela primeira autora sob orientação da segunda.
Análise Comportamental Clínica 253
riam prever as respostas quando se tivesse um conhecimento dos estímulos (Doron e Parot, 2000; Matos, 1997).
O BehaviorismoMetodológico (assim denominado devido à ênfase no método científico) não tomava como objeto de estu-do os comportamentos internos, mas tam-bém não negava sua existência – Watson afirmava apenas que não havia formas ob-jetivas de observá-los/estudá-los, pela im-possibilidade de consenso público. Skinner (1953/1998, 1974/1993 e 1989/1991), com o Behaviorismo Radical, propõe-se a estudar eventos internos,entendendo a introspecção como a observação do pró-prio comportamento, sendo resultado de aprendizagem (Matos, 1997).
Os analistas do comportamento deram um grande passo ao desenvolverem o con-ceito de comportamento operante. Até en-tão, o conceito disponível referia-se a uma relação de S→R, na qual o estímulo ante-
cedente seria o determinante da resposta observável. Esse tipo de relação é...
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