PRÁTICAS DE LEITURA

Páginas: 119 (29665 palavras) Publicado: 28 de março de 2014
Práticas de Leitura e Escrita entre as Crianças na Pobreza Urbana
 
Robson Gonçalves dos Santos
Escola Estadual Governador Lacerda de Aguiar
Itabirinha/MG

Resumo - O objetivo do presente artigo é trazer alguns dados de pesquisa que permitem discutir duas das principais teses que estão na base das mudanças nas políticas públicas na área de alfabetização, quais seja, a ausência de práticasde leitura e escrita nos meios populares e as conseqüências negativas dessa ausência no desempenho escolar das crianças pobres. Os nossos dados revelam práticas de leitura e escrita entre as crianças de diversas idades em um bairro pobre da cidade de São Paulo, mesmo dentre aquelas que ainda não dominem as habilidades de leitura e escrita. Os estudos recentes na área da história cultural e dasociolingúistica vêm questionando as teses não só da universalidade das formas de apropriação da língua escrita num sistema alfabético, bem como as hipóteses de que ela demandaria níveis de conceitualização superiores aqueles empregados nos usos da linguagem oral.
Práticas de leitura e escrita, fracasso escolar e camadas pobres
Introdução
Nos últimos 15 anos temos assistido no Brasil à retomada deuma série de questões que voltam à baila através dos estudos realizados no campo da alfabetização das crianças de classes populares. Reavivando as teses da suposta ausência de experiências culturais entre as crianças de camadas populares, como uma das principais causas do seu mau desempenho escolar, as políticas educacionais brasileiras vêm promovendo uma “verdadeira revolução no campo daalfabetização” (Ciclo Básico, 1990; PCN, 1997).
Baseados nos trabalhos das psicólogas argentina e espanhola, Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1979), de enorme repercussão no Brasil, as políticas educacionais têm se voltado a uma reformulação das propostas de alfabetização e à capacitação dos professores do ensino fundamental, como medida de combate aos altos índices de fracasso escolar.
Gostaríamos dediscutir neste artigo, algumas das teses centrais que estão na base das mudanças conceituais das novas políticas de alfabetização. Alguns dados de pesquisa por nós realizada apontam a necessidade de certa cautela quanto às afirmações sobre a ausência de experiências de leitura e escrita nas camadas populares e suas conseqüências negativas sobre o desenvolvimento cognitivo de suas crianças. Osdados recolhidos foram tema de um trabalho de pesquisa mais amplo (Sawaya, 1992; 1999) e analisados à luz das contribuições de um referencial da história cultural (Chartier, 1994).
Primeira Tese
O pressuposto básico que norteia as novas concepções de alfabetização é o de que as crianças de classes populares são provenientes de lares onde não se fazem usos da leitura e da escrita. Como conseqüênciadessa ausência de interações com situações de leitura e escrita, essas crianças não teriam atingido os níveis de conceitualização necessários à construção da escrita na escola e não compartilham das mesmas competências linguísticas das crianças de classe média e pressupostas pela escola. Essas teses têm servido como algumas das principais justificativas para as políticas educacionais de extinçãoda reprovação no ensino fundamental, através da implantação da progressão continuada das crianças pelos 8 anos de escolarização, permitindo mais tempo para os alunos dominarem as habilidades da leitura e da escrita e seus usos sociais (PCN, 1997; Davis e Silva, 1993; SEE, 1997; 2000).
Segunda tese
Para que as crianças possam compreender e se apropriar da língua escrita na escola é preciso queelas tenham atingido níveis de conceitualização que as crianças de camadas populares podem não ter alcançado. O que constituiria uma barreira educativa para essas crianças, resultando em sua reprovação escolar.
Os usos da linguagem oral na pobreza urbana
Um estudo realizado em 1992 junto a um grupo de 14 crianças com idade entre 3 e 9 anos em um bairro periférico da cidade de São Paulo veio...
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