Nikesara Luana Jesus

Páginas: 12 (2969 palavras) Publicado: 26 de julho de 2015
A MALANDRAGEM NA OBRA DE JORGE AMADO - UMA ANÁLISE DE
CAPITÃES DA AREIA, DE 1937.
Por: Nikesara Luana de Jesus.
Orientadora: Professora Doutora Rosane Kaminski.
Palavras chave: Malandragem – Jorge Amado – Capitães da Areia.
Busca-se por meio desta pesquisa histórica entender a figura da malandragem baiana,
na década de 30, menos comum que seus pares: O malandro paulista, sambista e o malandrocarioca, elegante e gingado. Frutos de estudos da historiografia recente como o de Sidney
Chalhoub em Lar, Trabalho e Botequim e de Elizabeth Cancelli em A cultura do crime e da
lei.
Procuramos responder quem é o malandro baiano, para Jorge Amado, e se o mesmo é
apenas malandro ou também bandido, cruzando o que Roberto DaMatta chama de “tênue linha
entre banditismo e malandragem” 1 . A escolha detrabalharmos um romance: Capitães da
Areia, como fonte, deve-se aos pressupostos teóricos de Peter Gay e Alfred Döblin, de que
todo romance é um romance histórico 2 , possuindo assim traços do real permeados pelo
sensível.
Para entender a figura da malandragem, nos valemos de Mikhail Bakhtin e sua idéia de
polissemia, de maneira que a idéia do malandro como uma idéia força só faz sentido se
buscadaem sua multiplicidade, que só existe a partir do outro. As diversas visões que se tem
da malandragem dependem do olhar lançado a elas. Ao agregá-las expõem-se uma tipificação
da malandragem. Bronislaw Baczo permite perceber que certas imagens polissêmicas, como a
do malandro, existem dentro de uma comunidade de imaginação, certas vezes, como o outro
que espelha nossa identidade, sendo parte doimaginário social brasileiro. Sua figura de
bandido, herói, capoeira ou amante liga-se mais do que a uma visão comum, liga-se a uma
idéia que se altera de acordo com a situação social da comunidade que o enxerga, alterando-se,
dessa forma, a idéia imaginada, sendo essa imagem portanto plástica, maleável e por vezes
ambivalente.
O pensamento social de que nos valemos advém de Roberto DaMatta, SidneyChalhoub e Elisabeth Cancelli que são nossas guias para entender o Brasil em vias de
modernização e importação de ideais modernos de produção capitalista. Através desses
autores, podemos compreender o que está acontecendo com o pensamento social do Brasil
entre as décadas de 20 a 40. E por meio das franjas de seus trabalhos, perceber como o
malandro serviu à construção da identidade nacional.

1DaMatta. Roberto. Carnavais, malandros e heróis, para uma sociologia do dilema brasileiro. Rocco, Rio de
Janeiro, 1997.
2
Alfred Döblin e Peter Gay analisam os romances como romances históricos a medida que acreditam, que os
mesmos estarão de alguma maneira ligados a realidade. Para Döblin, o romance precisa trazer traços de realidade,
do contrário sua leitura não prenderá o leitor, que nãoconseguirá sentir-se à vontade com o mesmo.O autor
admite que romance não é história por não possuir seu rigor cientifico, mas acredita que sem os pontos de
realidade, ainda que sensibilizada, seria impossível chamar a atenção do leitor, e que, portanto, todo romance
seria uma representação sensível da realidade. Peter Gay entende que os romances do Realismo, sempre
buscaram caracterizar ao máximo suaambientação e cultura próxima da realidade, respeitando-se o fato de que é
ainda um romance e, portanto, permeado de sensibilidade e do ponto de vista de seu autor, ainda assim, deveriam
ser analisados como sempre possuindo informações históricas valiosas. In: Döblin. Alfred. O romance histórico
e nós. História Questões e Debates numero 44 artigo; Gay, Peter. Represálias Selvagens. Schwarz ltda, SãoPaulo 2010.

Para entender a malandragem como parte da identidade brasileira, recorremos a autores
anteriores a obra, que, no entanto, nos desvelam o contexto da cristalização da malandragem
como parte da natureza brasileira. Seriam eles Paulo Prado, Sérgio Buarque de Holanda e
Antonio Cândido de Mello e Souza.
É por meio do trabalho de Robert Darnton que compreenderemos como as histórias...
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