Memoria da cidade

Páginas: 14 (3395 palavras) Publicado: 14 de junho de 2014
RESUMO 01.

Sobre a Memória das Cidades

A valorização do passado das cidades é uma característica comum às sociedades deste final de milênio. No Brasil, esta tendência é inédita e reflete uma mudança significativa nos valores e atitudes sociais até agora predominantes. Depois de um longo período em que só se cultuava o que era novo, um período que resultou num ataque constante e sistemáticoàs heranças vindas de tempos antigos, eis que atualmente o cotidiano urbano brasileiro vê-se invadido por discursos e projetos que pregam a restauração, a preservação ou a revalorização dos mais diversos vestígios do passado. A valorização do passado, ou do que sobrou dele na paisagem ou nas "instituições de memória" (museus, arquivos, bibliotecas, etc.) (Nora, 1984), se dá hoje de formageneralizada no mundo, refletindo a emergência de uma nova relação identitária entre os homens e as mulheres do final do século XX e os conjuntos espaciais que lhes dão ancoragem no planeta, sejam eles os estados-nações, as regiões ou os lugares.
Para Le Goff, a valorização atual do passado tem muito a ver com o fim da era de otimismo ilimitado no futuro, iniciada com o Iluminismo. Com efeito, foi apartir da Ilustração que as sociedades ocidentais passaram a redirecionar a sua visão de mundo, antes orientada para a "grandeza" e a "majestade" do passado, transferindo seu foco de atenção para o "futuro", para o "progresso". Olhar com reverência para o passado passou a ser visto, a partir de então, como sinônimo de saudosismo ou como atitude tipicamente reacionária, uma associação de ideias que sótendeu a ampliar o seu escopo com o tempo. Era para o futuro, e não para o passado, que as sociedades deveriam olhar!
Trata-se de um importante momento de mudança, que não se compreende ainda muito bem, e que vem dando margem ao aparecimento de reflexões teóricas de peso, todas elas buscando concatenar pistas que permitam decifrá-lo. Diferentes em suas análises, essas reflexões são unânimes aoapontar para o tempo como a categoria de análise fundamental para a compreensão do momento atual. Harvey (1989), por exemplo, analisa - o como um período de máxima "compressão espaço-tempo". Giddens (1989) refere-se ao "esvaziamento do tempo" que ele incorpora. Santos (1994: 178), por sua vez, apontou para a contemporaneidade simultânea e compulsória que o momento atual vem exigindo de todas associedades. Virilio (1984) chegou mesmo a radicalizar, dizendo que estamos vivendo um período em que o espaço foi abolido, em que só o tempo existiria.

A busca de "memória urbana" no Brasil

O Brasil é um país de cidades novas. A maior parte de seus núcleos urbanos surgiu neste século. Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo.
Contemporâneas dos primeiros tempos da colonização,algumas delas já ultrapassaram inclusive a marca do quarto centenário. Poucas são as cidades brasileiras, entretanto, que ainda apresentam vestígios materiais consideráveis do passado.
Se hoje o Rio de Janeiro, fundado em 1565, vangloria-se de seu "corredor cultural", que preserva edificações da área central construídas na virada do século XIX para o XX, é importante lembrar que as edificaçõesaí situadas substituíram inúmeras outras que antes levantavam-se no mesmo local. Nem mesmo o berço histórico da cidade existe mais, arrasado que foi com o Morro do Castelo em 1922.
E o que falar de São Paulo, fundada em 1554? Da Paulicéia colonial e imperial quase mais nada existe, e se ainda temos uma boa noção do que foi a São Paulo da primeira metade do século XX é porque contamos com apaisagem eternizada das fotografias e com os belíssimos trabalhos realizados pelos geógrafos paulistas por ocasião do 4° centenário da cidade.
Em suma, não é muito comum encontrar-se vestígios materiais do passado nas cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há bastante tempo. Há, entretanto, algo novo acontecendo em todas elas.
Independentemente de qual tenha sido o estoque de...
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