Kosmos, Arché, Causalidade e Physis

Páginas: 8 (1805 palavras) Publicado: 9 de abril de 2014
Cosmo, o significado do termo kosmos para os gregos desse período liga-se diretamente às ideias de ordem, harmonia e mesmo beleza (já que a beleza resulta da harmonia das formas: daí, aliás, o nosso termo “cosmético”). O cosmo é assim o mundo natural, bem como o espaço celeste, enquanto realidade ordenada de acordo com certos princípios racionais. A ideia básica de cosmo é, portanto, a de umaordenação racional, uma ordem hierárquica, em que certos elementos são mais básicos, o que se constitui de forma determinada, tendo a causalidade como lei fundamental. O cosmo, entendido assim como ordem, opõe-se ao caos, que seria precisamente a falta de ordem, o estado da matéria anterior à sua organização. É importante notar que a ordem do cosmo é uma ordem racional, “razão” significando aíexatamente a existência de princípios e leis que regem, organizam essa realidade. É a racionalidade deste mundo que o torna compreensível, por sua vez, ao entendimento humano. É porque há na concepção grega o pressuposto de uma correspondência entre a razão humana e a racionalidade do real – o cosmo – que este real pode ser compreendido, pode-se fazer ciência, isto é, pode-se tentar explicá-loteoricamente. Daí se origina o termo “cosmologia”, como explicação dos processos e fenômenos naturais e como teoria geral sobre a natureza e o funcionamento do universo.O arché é um termo fundamental na linguagem dos filósofos pré-socráticos, dado que é caracterizado pela procura da substância inicial de onde tudo deriva e é também a ideia mais antiga na filosofia, jáque se tornou no ponto de passagem do pensamento mítico para o pensamento racional.
Os primeiros filósofos, os pré-socráticos, tentaram estabelecer um "princípio" (arché) da origem e composição do Universo, recorrendo para isso à natureza (physis). 
Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto e Anaxímenes de Mileto acreditavam que as coisas têm por trás de si um princípio físico, material, chamado arché.Tales de Mileto pensava este princípio ou arché como se da água se tratasse. A água seria a substância última da constituição das coisas. Tales afirmou que a água possui vida e movimento próprios. Jáque a água é subjacente a todas as coisas, poder-se-ia dizer que tudo está vivo e animado. Tales chega a uma grande abstração: "tudo é um", ou seja, todas as coisas são redutíveis ao seu elementofundamental, neste caso, a água. Segundo Tales, a terra flutua sobre a água; assim sendo, a água é a causa material de todas as coisas.
Para Anaximandro, o princípio das coisas - o arché - não era algo visível, era uma substância etérea, infinita e indeterminada. Por fim, para Anaxímenes de Mileto, o arché seria o ar e as coisas danatureza. Da mesma maneira que a nossa alma, que é ar, nos sustenta, também um sopro e o ar envolvem o mundo inteiro. Heraclito de Éfeso pensava que todas as coisas eram feitas de uma única substância, o fogo. Para ele, é impossível alguém se banhar duas vezes na mesma água no mesmo rio; o acontecer do mundo éum fluxo permanente, pois tudo está em movimento e nada dura para sempre. O mundo, para Heraclito, era como se fosse a chama de uma vela - sempre o mesmo em aparência, mas sempre se alterandona substância.Segundo Pitágoras, os princípios da matemática, ou seja, os números são o arché. Pitágoras afirmou que os números são a essência de todas as coisas. Considerou os números, as suas relações e asformas matemáticas como a essência e a estrutura de todas as coisas. Cada coisa possui um número (arithmós arkhé), que expressa a "fórmula" da sua constituição íntima. As leis que governam ocosmos são também relações matemáticas.
Concluindo, o arché é o princípio e realidade fundamental, aquilo de que provêm todas as outras coisas, a génesis.
As idéias de causa e causalidade fazem parte do esforço de dar sentido aomundo e estão presentes nos mais diversos domínios da atividade humana e do pensamento, como a religião, a mitologia, o direito, a filosofia e a ciência....
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