Hasenbalg

Páginas: 5 (1017 palavras) Publicado: 20 de outubro de 2014
Carlos Hasenbalg. Discriminao e desigualdades raciais no Brasil. 2 edio, Belo Horizonte Editora UFMG Rio de Janeiro IUPERJ, 2005. __________________________________ Discriminao e desigualdades raciais no Brasil 26 anos depois O livro Discriminao e desigualdades raciais no Brasil de Carlos Hasenbalg, publicado no ano de 1979, representou um marco na produo sociolgica brasileira. Alm doimpacto causado na rea acadmica, repercutiu fortemente entre os militantes do movimento negro brasileiro, pois as concluses apresentadas pelo autor, ao longo do livro, convergiam para as reivindicaes daqueles que lutavam em favor da igualdade racial. Vinte e seis anos depois, no ano de 2005, no momento em que o Brasil j dispe de iniciativas como a Secretaria Especial de Promoo de Poltica da IgualdadeRacial (SEPPIR) e em que se encontram avanadas as discusses sobre o Estatuto da Igualdade Racial, a nova gerao de intelectuais, militantes e todos aqueles que lutam pelo fim das desigualdades so premiados, tardiamente, verdade, com a 2 edio do livro de Hasenbalg. Talvez no seja comum resenhar a segunda edio de um livro, ainda mais que, nesses 26 anos desde a primeira edio, muito foi lido ediscutido sobre ele. Entretanto, fundamental que retomemos a forma densa (e mesmo provocativa) como o autor constri a histria das desigualdades raciais no Brasil, as concluses tiradas de suas pesquisas nos anos de 1960-70 e, por fim, a discusso em torno do polmico conceito de raa, ainda forte na contemporaneidade e presente no Estatuto da Igualdade Racial, que recebeu (e continua a receber) uma srie decrticas. Para Carlos Hasenbalg, as razes da marginalizao social do povo negro so encontradas nas prticas ditas racistas e discriminatrias subjacentes ao perodo posterior abolio. A to propagada democracia racial brasileira no passa de um mito, um instrumento ideolgico que visa ao controle social pela legitimao da estrutura vigente de desigualdades raciais, impedindo que a situao se transforme emquesto pblica e, conseqentemente, sujeita a intervenes estatais. Critica tambm a idia da escola sociolgica paulista (notadamente Florestan Fernandes) ao considerar o racismo como um resduo da ordem escravocrata. Para ele, a discriminao racial no Brasil resultado direto das desigualdades entre brancos e no brancos em diferentes esferas educao, economia, acesso ao trabalho e foi reconstruda notempo presente pela ordem capitalista. Com base em dados estatsticos, seu livro importante por mostrar a condio de miserabilidade vivida pelo negro e por possibilitar a retomada da discusso da realidade racial brasileira. A tese central do livro que a explorao de classe e a opresso racial se articularam como mecanismos de explorao do povo negro, alijando-o de bens materiais e simblicos. Partindo deum dualismo que lhe prprio, Hasenbalg afirma que os negros foram, ao longo do tempo, explorados economicamente e que esta explorao foi praticada por classes ou fraes de classes dominantes brancas. Para ele, a abertura da estrutura social em direo mobilidade est diretamente ligada cor da pele, e, nesse mbito, a raa constitui um critrio seletivo no acesso educao e ao trabalho. No existiram aescoletivas duradouras, por parte da populao negra ao contrrio, houve uma subordinao aquiescente dos negros, graas, principalmente, cooptao de parte da populao de cor em razo da mobilidade ascendente e das armas ideolgicas, como o branqueamento e o mito da democracia racial. O livro foi lanado no final dos anos 70, momento em que o Movimento Negro Unificado (MNU) atacava a idia de democracia raciale recuperava a idia de raa, reintroduzindo-a na discusso sobre a nacionalidade brasileira. As concluses tiradas por Hasenbalg caram como uma luva no suporte cientfico das bandeiras de luta desse movimento. Ao recuperar a idia de raa, o MNU procurou dividir a populao brasileira entre brancos e negros (recusando outros termos, como mestios, morenos, pardos, etc), tal qual faz Hasenbalg, para quem...
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