Guerras justas

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Assim, passados quatro meses da fatídica chegada da corte, o príncipe-regente d. João instrui o capitão-general de Minas Gerais a decretar guerras contra os índios botocudos daquela capitania, pois eles são antropófagos e não têm aceitado a submissão ao reino por nenhum outro meio, segundo suas palavras. Para deter esse processo, d. João ordena uma guerra ofensiva sem tréguas até o momento em que todos os índios da região estejam submissos e as terras que ocupam tenham sido deles tomadas. O meio de se obter esse controle é a montagem de expedições de pedestres e de bandeiras, inclusive compostas por índios domesticados. As recompensas, além do soldo, não tardarão, segundo promete o regente: além de cativar todos os índios aprisionados, os soldados podem ser agraciados com lotes de terras e os comandantes das expedições deverão receber pagamento extra, se provarem que renderam maior número de botocudos:
Ordeno-vos que a estes Comandantes se lhes confira anualmente um aumento de soldo proporcional ao bom Serviço, que fizerem, regulado este pelo princípio, que terá mais meio soldo aquele Comandante, que no decurso de um ano mostrar não somente, que no seu distrito não houve invasão alguma de Índios Botocudos, nem de outros quaisquer índios brabos, de que resultasse morte de portugueses, ou destruição de suas plantações; mas que aprisionou, e destruiu no mesmo tempo maior número, do que qualquer outro Comandante; conferindo-se aos demais um aumento de soldo proporcional ao Serviço que fizeram, servindo de base para máxima recompensa o aumento de meio soldo.32
A proposta de devastação do sertão de Minas Gerais é ocasionada tanto pela necessidade de desenvolver economicamente a região, aproveitando o curso dos rios que interligam as capitanias de Minas, Espírito Santo e Bahia (e as subsidiárias, Porto Seguro e Ilhéus) quanto pelo interesse em afastar dali as populações indígenas recalcitrantes à presença portuguesa. O motivo desta vasta região ter se mantido

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