Friedrich Nietzsche

2026 palavras 9 páginas
Friedrich Nietzsche

• A concepção dionisíca da vida

A filosofia de Nietzsche pretende ser um sim sem reservas à vida, uma forma de aquiescência superior e exuberante que abraça e celebra a vida na sua totalidade, mesmo nos seus aspectos chocantes, problemáticos e enigmáticos.
Esta celebração da vida, para além do bem e do mal, do verdadeiro e do falso, encontra-se, segundo Nietzsche, nas tragédias gregas, mais propriamente em Esquilo e Sófocles. Essas obras apresentavam um tipo de homem que assumia o carácter trágico da vida, as suas contradições, os seus sofrimentos e caprichos, sem lhe opor valores pretensamente superiores que permitissem julgá-la e condená-la. Bem pelo contrário, os gregos da ‘Idade trágica’ embora reconhecendo o carácter aterrador da vida — o terrível poder do destino — celebravam alegremente esta vida. A consciência e a crença vigorosa de que a vida é a unidade enigmática da criação e da destruição, da dor e do prazer, da morte e da vida, eis aquilo em que consiste a visão trágica ou dionisíaca da vida.
A concepção dionisíaca da vida sacraliza os instintos fundamentais, afirma festivamente a unidade do homem com a natureza, colocando-se assim nos antípodas da moral cristã que, segundo Nietzsche, é profundamente antinatural. O representante supremo da religiosidade pagã — Diónisos — é a forma suprema de divinização da vida.
A adesão firme de Nietzsche à visão dionisíaca da realidade determinará profundamente o seu pensamento e a sua crítica à cultura ocidental desde Sócrates até à época em que viveu.
A sua fórmula será, então: ‘Preferir a vida a todo e qualquer outro valor, ser a sua máxima afirmação, santificá-la como totalidade em que bem e mal, dor e gozo, crueldade e alegria estão necessariamente enlaçados’
Referindo-se à sabedoria trágica dos grandes gregos pré-socráticos, Nietzsche dirá:
‘A afirmação do desvanecimento e da aniquilação, o elemento decisivo numa filosofia dionisíaca, o dizer sim à oposição e à guerra, ao devir,

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