fichamento de o labirinto da solidao, Octavio Paz

Páginas: 12 (2997 palavras) Publicado: 18 de março de 2014
O LABIRINTO DA SOLIDÃO

O “pachuco” leva a moda às últimas consequências e a torna estética. Por se diferenciar da dos princípios norte-americanos, o “pachuco” o torna “imprático”. Nega assim os próprios princípios em que seu modelo se inspira. Por um lado, a roupa os isola e distingue; por outro, esta mesma roupa constitui uma homenagem à sociedade que pretendem negar. (p.19)
A irritação donorte-americano procede no meu entender, de ver no “pachuco” um ser mítico e, portanto, virtualmente perigoso. Passivo e desdenhoso o “pachuco” deixa que se acumulem sobre a sua cabeça todas essas representações contraditórias até que, não sem uma dolorosa auto-satisfação, venham eclodir numa briga de bar, numa batida de policial ou num tumulto. (p. 19)
A contemplação do horror, e mesmo afamiliaridade e a complacência no seu trato, constituem, pelo contrário, um dos traços mais notáveis do caráter mexicano. O gosto pela autodestruição não deriva só de tendências masoquistas, mas também de uma certa religiosidade. (p. 25)
O sistema norte-americano só quer ver a parte positiva da realidade. Desde a infância, homens e mulheres são submetidos a um inexorável processo de adaptação; certosprincípios, contidos em fórmulas breves, são repetidos sem cessar pela imprensa, pelo rádio, pelas igrejas, pelas escolas e por estes seres bondosos e sinistros que são as mãe e as esposas norte-americanas. (p. 27)
Há que ser fiel, porque a muito que defender. O homem colabora ativamente para a defesa da ordem universal, ameaçada sem cessar pelo informe. É impossível o que chamamos de pecado sejaapenas a expressão mítica de consciência de nós mesmos, da nossa solidão. (p. 28)
Velho ou adolescente, crioulo ou mestiço, general, operário ou bacharel, o mexicano surge como um ser que se fecha e se preserva. Tão ciumento de sua intimidade como da alheia, não se atreve sequer a roçar com os olhos o vizinho. Em suma, entre sua realidade e sua pessoa, estabelece uma muralha invisível, mas nãomenos intransponível, de impassibilidade e distância. O mexicano está sempre longe, longe do mundo e dos outros. (p. 30)
Nossas relações com os outros homens estão tintas de receio. Cada vez que o mexicano confia num amigo ou num conhecido, cada vez que “se abre”, abdica. Aquele que confia em alguém se aliena. A distância que vai de homem a homem, criadora do respeito mútuo, e da segurança mútua,desapareceu. Não só a mercê do intruso, como também abdicamos. (p. 31,32)
A preferência pela forma, inclusive a vazia do conteúdo, manifesta-se ao longo da história de nossa arte, desde a época pré-cortesiana até nossos dias. Na política e na arte, o mexicano aspira a criar mundos fechados, na esfera das relações cotidianas procura fazer imperar o pudor, o recato e a reserva cerimoniosa. (p. 35)Para os mexicanos, a mulher é um ser confuso, secreto e passivo. Não lhe são atribuídos maus instintos: pretende-se que ela nem sequer os tenha. Melhor dito, que eles não são seus e sim da espécie; a mulher encarna a vontade da vida, que é em essência impessoal, e neste fato se fundamenta a sua impossibilidade de ter uma vida pessoal. (p.36)
As norte-americanas também proclamam proclamam aausência de instintos e desejos, mas a raiz do que afirmam é diferente e até contrária. Ao se negar reprimem sua espontaneidade. A mexicana simplesmente não tem vontade. Seu corpo dorme e só se acende se alguém o despertar. Nunca é pergunta, mas sim resposta, matéria fácil e vibrante que a imaginação e a sensualidade masculinas esculpem. (p.37)
O mexicano excede no dissimulo de suas paixões e de simesmo. Temente do olhar alheio, contrai-se, reduz-se, faz-se sombra e fantasma, eco. Não só dissimulamos a nós mesmos e nos tornamos transparentes e fantasmais; também dissimulamos a existência de nossos semelhantes. Dissimulamo-los de maneira mais definitiva e radical. (p. 42, 43)
Nossos calendários está cheio de feriados. Certos dias, igualmente nos luares mais afastados das grandes cidades, o...
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