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Páginas: 7 (1630 palavras) Publicado: 20 de junho de 2013
Apresentaremos aqui uma resenha de tipo descritiva do texto “O existencialismo é um humanismo” do filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980); conferência proferida no ano de 1946 onde o pensador visa esclarecer uma série de pontos a respeito da sua filosofia, o existencialismo (o existencialismo de Sartre, como veremos, caracteriza-se por ser ateu e por, ao contrário do que pensa o sensocomum, uma humanismo e um otimismo). Os esforços de Sartre em esclarecer sua filosofia foram essenciais para que ela não se dissipasse (PENHA, 1987, p. 55). Faremos uma apresentação sucinta das preocupações de Sartre e então faremos uma panorama bastante geral que costura as principais ideias do texto, a saber, a tese central do existencialismo, de que a existência precede a essência (faremos menção àdistinção 'ser em-si' e 'ser para-si', atrelada à tese que consideramos central), a liberdade, a questão de Deus e a má-fé.

Sartre abre o seu texto tratando de algumas críticas feitas a sua doutrina, em especial aquelas dirigidas por marxistas (o existencialismo seria uma filosofia que prega a contemplação, luxo burguês) e por católicos (o existencialismo passa uma imagem negativa do serhumano [“esquecemos o sorriso da criança”] e por transformar a moral num reino de relatividade radical, por tirar Deus de cena). Sarte nos adianta que, ao contrário do que pensam, o existencialismo se caracterizará tanto por um humanismo, no sentido de que há uma construção da subjetividade humana (SARTRE, 1987, p. 3) como por um otimismo, uma doutrina da ação (SARTRE, 1987, p. 4). Sartre tambémrechaça a vulgarização do vocábulo.

Então, diferencia entre duas escolas existencialistas: o existencialismo cristão, onde alinha Jaspers e Marcel e o ateu, onde coloca Heidegger e ele próprio como representantes. Muito embora, Sartre aponte, paradoxalmente, que o existencialismo não está preocupado em fornecer uma prova da inexistência de Deus e que a existência ou não dele é indiferente para todoseu sistema, seja no plano ontológico seja no plano moral. Ademais disso, tanto Marcel quanto Heidegger objetaram o alinhamento em que Sartre os colocou (PENHA, 1987, p. 69n).

Após esse intróito, Sartre apresenta sua célebre tese de que “a existência precede a essência” (SARTRE, 1987, p. 5). Essa tese, acreditamos, nada mais é que um reforço das ideias apresentadas em sua obra clássica, O ser o enada de 1943, três anos antes de nosso opúsculo. Nessa obra, Sartre diz que o que diferencia os seres humanos dos outros seres é a consciência. Não trazemos nada impresso em nossa consciência quando nascemosi, ela é um vazio; nossa consciência é impressionada pelos fenômenos externos a partir do momento que viemos à existência. O conteúdo da consciência é formado pelo que ela percebe e que provémda natureza. É essa consciência que dá sentido aos objetos que ocupam a natureza, consciência envolve intenção,toda consciência é consciência de alguma coisa. Dessa fenomenologia emerge uma distinção, já presente em Hegel: entre ser para-si, no caso, o homem, aquele que percebe que percebe e utilizada essa capacidade para dizer o que é e o que fará e entre ser para-si, que apenas são percebidosmas não se percebem e não são dotados de autonomia.

Toda essa fundamentação teórica subjaz o que Sarte está dizendo em O existencialismo é um humanismo, não temos natureza humana, não somos determinados por nada, existimos por nós mesmos, construímos a nós mesmos, daí o humanismo do existencialismo, a doutrina preconiza uma construção de si mesmo: “O homem nada mais é do que aquilo que ele faz asi mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo” (SARTRE, 1987, p. 6). Uma coisa é claramente consequência da outra, na medida em que não há natureza que nos determine, só nos resta a nós mesmos, após sermos impactados pelos fenômenos do mundo, nos constituirmos enquanto seres que existem, pode-se dizer que não nascemos com uma alma, mas que a adquirimos com o passar do tempo.

Ser...
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