contos curtos

Páginas: 65 (16162 palavras) Publicado: 15 de setembro de 2014
Paulo Maldonado
 
20 Contos Curtos
 

 
Paulo Maldonado nasceu em Belo Horizonte, em 1945.
Aos nove anos mudou-se com a família para Niterói, onde
fez o ginásio, o clássico e a faculdade de Direito. Aos 16 anos já trabalhava em escritório de advocacia, no Rio de Janeiro, onde viveu de 1969 até 1995, quando retornou a Icaraí. Foi líder estudantil nos movimentos de 1968, contra a ditaduramilitar.
É publicitário desde os 18 anos. Sua estréia literária se deu em 1986, com o livro de poemas Vai . Em 1988 publicou O Último Gole e, em 1997, outra coletânea de poemas com o título Vago e Vagas. Agora, em 2008, de volta ao Jardim Botânico, lança 20 Contos Curtos, seleção de contos escritos nos últimos anos.
 

“Acontecimentos independentes de minha vontade impediram-me de realizar, emqualquer ocasião, um esforço sério naquilo que sob mais felizes circunstâncias, teria sido a carreira de minha escolha. Para mim, a poesia não tem sido uma finalidade, mas uma paixão; e as paixões deveriam merecer reverência; nãodevem nem podem, ser excitadas à vontade, com vistas às mesquinhas compensações, ou aos louvores, ainda mais mesquinhos, da humanidade” (1845).
 
Edgar Allan Poe
 
 “Às vezes creio que os bons leitores são cisnes ainda mais tenebrosos e singulares que os bons autores”(1935).
 
Jorge Luis Borges
 

 
Índice
 
01 Amor na metade dos noventa
02 Contrários
03 Nós três
04 Ana Clara e Maria Ana
05 Sete minutos de agonia
06 Dia das mães
07 De escritor para escritor
08 Diálogo sobre perdedores e vencedores
09 Obrigado, Quintanilha
10 Mamãe
11 196912 Coveiros
13 A morta
14 Por favor
15 Vantagem competitiva
16 Madrugada no Leblon
17 Sábado de merda
18 Zapata não perdoa
19 Diva
20 O começo e o fim
 

 
Amor na metade dos noventa
 
Estamos na sala. É para lá das duas da madrugada e não insisto em sair. Dízio, comprido e seco, cabelo e barba escorridos, dentes escuros de cocaína, mas riso sempre aberto, atento para o bote em todasas fêmeas, seja do irmão, do pai, do filho ou do Espírito Santo. Laureta, tesouro decadente de nossa geração: minissaia mínima e farto tórax seminu – exemplo de dissipação. Depois de muito teatro alternativo, vivem de organizar festas para crianças. Sempre pasmo ao imaginá-los fazendo mágicas e gracinhas para a gurizada nos playgrounds.
 
Conhecimento de anos. Chegamos ao degrau de onde todosos assuntos escorregam. Sabemos o que somos, fazemos e dizemos. Pouco falamos, embora teimando o dolorido resgate do paraíso sonhado. Agarramos as raras chances de nos iludir de que o nirvana esteve perto. Tentativas de minorar o sofrimento do ramerrame de cada dia. Dependemos das lembranças do vivido.
 
Naquela noite, Dízio se esforçou o que pôde. Tentou todos os papos- cabeça de seu repertório.Veio até de poesia, sabedor de minha paixão. Citou uns californianos frouxos, herdeiros de Guinsberg e arranhou Dylan Thomas, mas, fracassada a intenção, desistiu.
 
Mais cedo, vieram para a mesa do bar e, esgotados brindes e rememorações possíveis, esbarramos no convite inevitável:
Fechamos lá em casa – ele determinou.
 
Acontece que a barra do Dízio é pesada. Demais para qualquer um denós. Serviu dois brancos franceses gelados de autêntica procedência e surpreendente aparição. Armou leros bordados de sorrisos, bateu duas carreiras e se chapou em sono de ronco, no sofá.
 
Contrariando CDs, ouvíamos vinis na vitrola, com os chiados costumeiros: Jamelão e sucessivos Lupicínios. É aí que descerro os olhos e, em sombra, permeando a penumbra azul de um saxofone abajur, sinto e vejo:Laureta pousou a palma em minha coxa esquerda e seus dedos acariciam-me. Fixo melhor o olhar e enxergo sua outra mão entre as pernas abertas de minha Maria. Assim evoluímos, assim nos amamos na metade dos noventa.
 
 

 
Contrários
 
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