Conto

Páginas: 8 (1812 palavras) Publicado: 18 de setembro de 2014
A BOCETA DE DONA FRANCISCA

Imbão! As vêiz eu me alembro duns cunticido de meus tempo de mulecote, que anté pego a rí d’eu memo. Ind’agorinha tava aculá de fuga, assuntano o gado rimueno, di coqui debaxo dum pé de barú erado que desde o tempo de vô Tôim qu’ele tá lá no memo lugázim. E o pensamento foi numa lunjura que credo im cruis!
O causo cumeçô, foi o siguinti... A mochinha levou umsupapo da maiada que chega tombô no meloso! Imbão, essa bestage de nada, feiz o pensamento ganhá o gerais e pequei o viagêro da mimória e conde vi tava lonnnnnge... Peguei a me alembrá d’eu mais cumpadi Afréu e um causo puxa ôtro e ansim me alembrei de dona Francisca do ribêrão. Muié que todo mundo gavava pela manêra dela levá a vida. Óia qu’ela era uma muié arrespeitada e memo véia cuma eu alembrodela, ela inda era um veiona prumada.
Dona Francisca casô cum Mané Pinto e inviuvô cedo. Era o que o povo dessas bêra tudo contava. Diz que ela era moça pobre mais muito intiligente e trabaiadêra e o Mané se apaxonô pela moça e cabô casano cum ela e conta que foi um festão de fazê gosto. A Chiquinha, cuma o povo chamava ela conde minina, era a coisa mais bunita desse Cerrado. Adispois que se casôcabô o negoço de chamá de Chiquinha, Mané Pinto aviso logo na festa de casório que, chiquinha morreu no artá, que d´ágora pá frente era “ Dona Francisca” é meio imperudo, mais anté que acho bacana! O Mané era bobo, mais n’éra muito não! Rsrsrs...
Imbão! mais eu já vô discambano pr’aculá e num contei cuma foi que acabei me alembrano de dona Francisca...
O causo é que nóis morava numa distânciade treis légua e meia da fazenda de Dona Francisca e cuma papai e Tiii Joca trabaiava cum fazimento de cerca de arame, roçada de pasto e esses trem de lida da roça. Vorta e meia eles tava pegano uma impreita de Dona Francisca e conteceu que numa dessas impreitas anté eu cabei ino judá narguma coisa. Era uma fazidura de cerca de pasto, num brejão que tinha lá nas divisa das terra de DonaFrancisca, com as mata do capão da onça, que era da famiia Montêro. O sirviço era grande, impreita pruns seis meis. E cabô que argumas vêiz anté eu que era mulecote, cabei ino mode judá a oiá o rancho, chegá terra nos pé das istacas, ô buscá água no córgo pá inchê as cumbuca.
Um dia desses adispois de tomá bãim no riberão Mosondó, nóis fumo todo mundo ( papai, tiii Joca, Nenêm Preto, Julião e eu) modejantá na casa de Dona Francisca, qu’ela já tinha marcado cum papai de acertá ums negoço lá que eu nem me alembro quê que era. Foi nesse dia qu’eu conhici de perto Dona Francisca, óia, era memo uma sinhora vistosona! Num era atôa que a piãozada vivia cunvessano manaiba e pono a beleza dela no mei!!!
Dona Francisca usava uns vistidão bunito todo adecorado de uma purção de flô, tinha flô de tudo queera core acumbinava cum o corpão gaudo qu’ela tinha. Nóis acheguemo o sol já ia morrenim na ispinh da serra e os raio amarelado dle chega pintava as bêra do céu. Eu muito ladino, já cheguei pondo assunto ne tudo, mode cumpanhá o que tava acunteceno. Nesse tempo minino num tinha muitas vêis não, os mais véi tratava minino era cum reidia curta. De modo que nóis ficava ansim mei que de banda,assuntano o trêm mei de isguei e num pudia se amisturá na prosa dos aduto não, que senão a bronca era feia e adispois o côro cumia no lombo. Mais logo que cheguemo sirviru a janta, adispois vêi um café e eu inda ranjei uma lasca de rapadura pá mode afiá as presa, inquonto eles proseava. Eu me assentei num banquim feito de casquêro de carvuêro cum furquia de cabiúna que pelo o tanto que o bicho lumiavacum as labareda do fogo, porque ele tava ansim perto do rabo do fogão, eu acho qu’ele tinha bem uns noventa ano de uso.
Imbão, a prosa curria solta lá na sala e eu alí no banco, no entremei da cozinha cum a sala só aiscutano a cunvessa e manducano rapadura e suntano. Derrepente um trêm me adispertô o sintido, moço! Era a boceta de Dona Francisca. Tava ela lá na sala, mais seu Gerômo irmão dela,...
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