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Páginas: 6 (1473 palavras) Publicado: 19 de outubro de 2014






Neo-Realismo, Manuel da Fonseca e “O largo”






Trabalho realizado por Luís Afonseca, n.º 40997, 1.º ano da licenciatura de Estudos Portugueses


Índice

Introdução……………………………………………………….……….. 3


Neo-Realismo ……………………………………………………………..3


Análise do conto “O largo”……………………………………………… 3


Apreciação pessoal………………………………………………….…….6


Bibliografia………………………………………………………………..7







Introdução
No âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa do Século XX, optei por realizar o meu trabalho sobre o conto “O largo”, inserido na obra O Fogo e as Cinzas (1951), de Manuel da Fonseca. A estrutura deste será a seguinte: primeiramente, uma breve sistematização da origem, temas e características do movimento neo-realista português; em segundo lugar, a análise do conto em questão emtermos de sinopse, estrutura da narrativa, espaço, tempo, narrador, personagens e linguagem e estilo; de seguida, apreciação pessoal; e, por fim, a bibliografia.

Neo-Realismo
O movimento neo-realista português inicia-se com a publicação da obra Gaibéus (1940) de Alves Redol. Sobejamente influenciada pela filosofia marxista da luta de classes, a estética neo-realista preconiza uma literaturaempenhada na transformação social, defende que a arte deve estar ao serviço do Homem e versa temas como a alienação e opressão do povo, a posse da terra ou os conflitos sociais, sempre com atenção ao detalhe e ao colectivo. Pontificado por figuras como os já referidos Alves Redol e Manuel da Fonseca, Soeiro Pereira Gomes, José Gomes Ferreira, Fernando Namora ou Carlos de Oliveira, o Neo-Realismoportuguês assumiu-se como um movimento contra-poder à ditadura salazarista. Este grupo era ainda extremamente crítico dos movimentos presencista e surrealista nacionais.

Análise do conto “O largo”
Sinopse
O conto “O largo” trata da total mudança que a construção dum caminho-de-ferro operou numa determinada vila, presumivelmente alentejana, sobretudo no seu largo. O aparecimento do comboio alteroupor completo o quotidiano daquela comunidade, desde os hábitos e rotinas dos seus habitantes até às mudanças socioeconómicas, passando pela rapidez com que as novidades chegam e pela divisão da vila em grupos bem definidos.

Estrutura da narrativa
Neste conto, não é correcto afirmar que existe uma organização da narrativa ao estilo introdução, desenvolvimento e conclusão. De qualquer forma, aestrutura define-se à volta de dois tempos distintos – antes da introdução do comboio e depois desta – e das diferenças sociais, económicas e comportamentais perceptíveis na vila, especialmente no seu largo. Com efeito, esta oposição entre passado e presente fica esclarecida logo na primeira página: “Antigamente, o Largo era o centro do mundo.”; “O comboio matou o Largo.”; e “Hoje, é apenas umcruzamento de estradas (…)”. De facto, se nas páginas iniciais se louva o largo e suas virtudes, o discurso altera-se a meio (“Veio o comboio e mudou a Vila.”) para tomar daí em diante um tom triste, desiludido e angustiante. Agora, o largo já não é o centro da vila, muito menos do mundo. Hoje em dia, aquele espaço encontra-se quase desabitado, pois as novidades já chegam aos habitantes da vila, oprogresso industrial tornou-se numa realidade e os habitantes dividiram-se em clientelas baseadas no estatuto social. A ruína descrita encontra corpo na figura de Ranito: “Outrora, foi mestre-artífice; era importante e respeitado. Hoje, é tão pobre e sem préstimo que nem sabe ao certo o número de filhos.”. Com uma angústia melancólica, o narrador sentencia: “Vai morrendo assim o Largo. Aosdomingos, é ainda maior a dor do Largo moribundo. Vão todos para os cafés, para o cinema ou para o campo. O Largo fica deserto sob a ramaria das faias silenciosas.”. Acrescente-se ainda que este conto é um caso de narrativa de acção aberta, pois o destino definitivo daquela vila é omitido: desconhece-se o final da acção. A última frase prova-o: “Esse vasto mundo onde...
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