Aracy Amaral

Páginas: 19 (4594 palavras) Publicado: 1 de dezembro de 2014
cinqüenta anos de

Bien

Bienais ou
Da impossibilidade de
reter o tempo

internacional de são paulo

ARACY AMARAL
é historiadora da arte,
professora titular
aposentada da FAU/USP,
tendo sido diretora do
Museu de Arte
Contemporânea da USP. É
autora de, entre outros,
Tarsila – Sua Obra e Seu
Tempo.

nal
ARACY AMARAL

M

elancólica a exposição comemorativa das Bienais deSão Paulo
no Parque Ibirapuera, mostra que
percorri constrangida pelo nível,
em museografia espantosa, verdadeiro parque de diversões, em
cuja entrada em letras garrafais
repetia-se em cartazes o nome do
jornal patrocinador do evento sobrepondose estrondosamente à entidade que se
pretendia celebrar – a Bienal de São Paulo
por seus 50 anos. Se essa exposição expressa
o que significa nossacriatividade atual nas
artes visuais, então salto fora. Não pode
ser, temos possibilidade de formular a apresentação de nossos valores fora do caos, ou
paralelo a ele, com dignidade, sem perda
de fervor ou qualidade. Na verdade, esse
evento não passou de uma exposição
coletiva de arte contemporânea, e nada
mais. Até artistas de elevado nível com bons
trabalhos, uns poucos, diluíam-se nageléia
geral dessa mostra, e nem deveriam ter
aceito dela participar. É difícil a um artista
rejeitar convite para participar de uma
exposição: é a possibilidade de mostrar seu
trabalho, que é sua vida, sua trajetória.
Porém, freqüentes vezes, por gesto político,
por ética, por um mínimo de coerência,
deveriam declinar quando o evento é
comprometedor. Uma artista que aceitou
participarconfiou-me ter sido o convite para
o evento projetado como uma exposição de
“arte, arquitetura e design”. E não essa
salada inqualificável que vimos de vídeos
cansados no tempo e instalações e projetos
tridimensionais de gigantismo que não
conseguem justificar sua presença.
Essa mostra se intitulou pomposamente
“Bienal 50 anos/ Uma Homenagem a
Ciccillo Matarazzo”, o mecenas criador do
Museude Arte Moderna de São Paulo e das
Bienais, mas, na verdade, nenhuma homenagem lhe era prestada nesse evento, fora
a intenção ou o título. Pensei que houvesse
uma exposição de documentação histórica,
a lembrar um tempo, mas nada. Parece que
um livro está sendo previsto. E nem a escultura, ou “estátua” de Ciccillo, no sentido
mais acadêmico do termo, que estaria lá,
não comparecia no espaçotumultuado,

18

infernal de ruídos, quando o visitei. Indagando dos vigilantes, informaram-me que
depois da inauguração a retiraram. Soube,
recentemente, que a recolocaram em local
definitivo frente à entrada do Prédio das
Bienais.
Referente a Ciccillo havia apenas um
“verbete”, na visualmente confusa Cronologia dos 50 anos, em sala que abrigava em
montagem improvisada e pobre (alembrar
as despretensiosas embora corretas exposições do MAM em seus primeiros tempos
da Rua Sete de Abril, há mais de 50 anos!),
obras do acervo precioso do Museu de Arte
Contemporânea da USP, cria também de
Ciccillo, pois resultante da doação da coleção do Museu de Arte Moderna de São
Paulo à Universidade – doação equivocada, com certeza, parece-me hoje, depois de
ter dirigido esse museu econstatado a indiferença da Universidade por uma ativação
cultural na área de artes –, no momento em
que Matarazzo desejou se liberar do fardo
de carregar duas instituições – o MAM e a
Bienal, e optando por esta última. Evidentemente por seu prestígio e repercussão
internacional.
Ciccillo afinal mereceria uma homenagem mais reflexiva, sobre seu papel como
mecenas, apesar de seu autoritarismo,de
sua mão-de-ferro a discordar e entrar em
choque com os vários diretores do Museu
de Arte Moderna de São Paulo – Dégand,
Milliet, Mendes de Almeida, Lourival,
Pedrosa – que se sucederam nos quinze anos
de existência da entidade (1948-62). Ele
dizia claramente e o ouvi dizer textualmente, farto de polêmicas de artistas, manifestos, debates e discussões: “Faço a Bienal de qualquer jeito,...
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