Africanidade

Páginas: 11 (2521 palavras) Publicado: 23 de outubro de 2013
Revista África e Africanidades - Ano I - n. 4 – Fev. 2009 - ISSN 1983-2354
www.africaeafricanidades.com

Ancestrais: uma introdução à História da
África Atlântica, Mary Del Priore e Renato
Pinto Venâncio
José Alexandre da Silva
Professor de História da Secretaria de Estado da Educação do Paraná - Brasil
E-mail: alexandre875@hotmail.com
Em Janeiro de 2003, uma das primeiras ações dopresidente Luís Inácio Lula da Silva foi sancionar a Lei
10.639 que trata da obrigatoriedade do ensino de história e
cultura africana e afro-brasileira nas escolas do Ensino
Fundamental e Médio. Essa lei é propositora de um grande
desafio, tanto aos profissionais de educação quanto ao
mercado editorial brasileiro, ambos despreparados para
atender à demanda de conhecimento sobre o continenteafricano, bem como sua contribuição na formação de nosso
país.
Nesse contexto, Mary Del Priore e Renato Pinto Venâncio trazem a público o
livro “Ancestrais: uma introdução à história da África Atlântica”, texto que contribui na
difusão do conhecimento produzido por especialistas na área de História da África. Os
autores tiveram a felicidade de escrever um texto com linguagem agradável,absolutamente informativo e fartamente ilustrado com tabelas, mapas e gravuras de
época, na sua maioria representações do continente africano feitas por europeus,
imagens de estatuetas e máscaras. A obra também é amparada em vasta bibliografia
internacional o que indica o grau de comprometimento dos autores, mesmo não sendo
africanistas, além do fato de que na época de sua publicação ainda havia, e háhoje,
muito que ser pesquisado no Brasil sobre essa temática. Esta obra é dividida em 8
capítulos a saber: O berço africano; Escravidão, tráfico & resistência; Africanos vistos

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www.africaeafricanidades.compela Europa; Um passeio na Senegâmbia; Costa do Ouro do Marfim e dos Escravos;
Congo & Angola; e Apogeu & declínio.
O primeiro capítulo é usado pelos autores para fazer uma apresentação da
África, seus reinos e sua cultura. São utilizados três recortes: o primeiro de ordem
geográfica, o segundo a partir das relações de poder e prestígio que se efetivavam
simultaneamente a partir da terra e dalinhagem e o terceiro trata da diversidade étnica
do continente africano. O seguinte trecho é digno de citação:

A terra era, na maior parte da África, um bem coletivo. Inútil, portanto,
conserva-la no seio da família por uniões monogâmicas. Cada chefe
local passava ao pai de família um terreno para cultivo. Este, por sua
vez, passava a ser devedor ou a pagar tributo em espécie ou trabalhoao chefe. Desta perspectiva, mais pertinente era ter muitas mulheres e
muitos filhos que cultivassem o solo gerando (...) uma ‘economia da
poligamia’ (PRIORE, VENANCIO, 2004: 13).

No segundo capítulo, os autores tratam de como o continente africano foi
denominado desde a antiguidade. Constatam que o termo África é uma invenção
européia, ou seja, de fora, que nunca conferiu nenhum sentidode unidade ou
identidade aos africanos. Em outras palavras o termo África não significava nada para
as populações desse continente. Já a denominação África Atlântica, relacionada com
a África que tem a ver com o Brasil, nasceu do contato com os europeus na primeira
metade do século XV, período em que pioneiramente, os portugueses iniciam as
expedições de circunavegação do continente. Um pontorelevante é enfatizar que a
escravidão negra não foi inventada pelos europeus e já existia no continente africano.
O trecho a seguir fundamenta essa idéia: “Na África Atlântica, a escravidão era
doméstica ou (...) ‘de linhagem’ ou ‘de parentesco’. (...) o trabalho cativo, nessas
paragens, somente após a chegada dos colonos europeus se tornou comercial (...)
(PRIORE, VENANCIO, 2004: 36)”....
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