O “western” em sergio leone, e a mitificação do masculino na cosmogênese estadunidense. sucinto

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  • Publicado : 24 de março de 2013
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O “Western” em Sergio Leone, e a mitificação do masculino na cosmogênese Estadunidense.
Sucinto


Davi de O. Bellan.


Introdução


Se toda grande nação tem uma idéia mítica a respeito de sua formação, e se é a partir dessas narrativas míticas que se estruturam muitas das posturas clássicas de gênero[1], não me parece estranho supor que é no “velho oeste”, e a partir dos filmes“Western”, que nasce o imaginário do “homem Estadunidense”.
A história nos conta que os Estados Unidos são “fundados” pelos descendentes dos peregrinos europeus. Fundação que tem por base as pequenas propriedades familiares e um conjunto de ideais e valores baseados, sobretudo, em ideais de autonomia e liberdade[2].
Embora boa parte das grandes decisões históricas norte americanas tenham acontecidoperto de sua costa Leste (vide Washington capital e Nova York), é o Oeste que inaugura e consagra a figura do “cowboy”, alcunha pela qual os Norte Americanos são reconhecidos mundo a fora até então.
Se tradicionalmente o Leste era o lugar dos “colonizadores”, da civilização, e do homem familiar e pacato. O famigerado “Wild West” (oeste selvagem) era onde estavam os homens solitários.Autossuficientes desbravadores. Homens que, “sozinhos”, carregavam a responsabilidade e o risco de engendrar o “processo civilizatório”. Seja enfrentando as intempéries do deserto e de um estado quase “hobbesiano” de convivência entre eles, ou a “fúria” de selvagens indomáveis e “belicosos”. E ainda que hoje estudos históricos façam críticas à veracidade de tais afirmações “categóricas”, o estudioso docinema André Bazin nos conta que: “O mito do nascimento de uma nação, a conquista do oeste, a luta do conquistador civilizado contra o selvagem; são características do western que não precisam necessariamente de fidelidade histórica, pois estão arraigados ao imaginário.” [3].
Bazin nos conta que surgindo quase simultaneamente ao nascimento do cinema, o gênero “Western” americano teve seu auge nosanos 50, e durante esse período produziu centenas de filme como: “No tempo das diligências (1939)” um dos muitos filmes do diretor John Ford, protagonizado pelo ícone do gênero John Wayne.
Com o movimento cinema novo, e partir do pós-guerra, os anos 60 e 70 influíram na diminuição da produção de novos filmes de “Western”, e a sociedade Norte Americana talvez já tomasse o gênero por “desgastado”[4].
Inesperadamente no meado dos anos 60, o movimento dos “cinemas novos” extrapolou a produção cinematográfica para além dos EUA. Países europeus e até mesmo o Brasil (O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), de Glauber Rocha), começaram a produzir filmes de “ação” sob a influência do “Western” Americano, e é nesse contexto que surge o diretor italiano Sergio Leone com seu“western spaghetti”.
Com uma direção “estranha”, caricata, e até crítica em relação à concepção Norte Americana de “Western”, Leone se torna famoso, mesmo nos EUA, por sua famosa “trilogia dos dólares”, composta por: “Por um Punhado de Dólares” (1964), “Por uns Dólares a Mais” (1965) e “Três Homens em Conflito” (1966). Embora tais filmes tenham revolucionado o “modus operandi” do gênerocinematográfico, a ponto de até hoje serem considerados precursores de muitas das técnicas e abordagens modernas de “ação”; é em seu posterior “Era uma vez no Oeste” (1968), que Sergio Leone é consagrado pela indústria cinematográfica enquanto o maior diretor do gênero[5].


Se entre os diretores clássicos americanos, como John Ford, o “Western” já havia se afirmado enquanto uma “ode mítica” à constituiçãodo paradigma masculino do indivíduo, e da nação Estadunidenses, em “Era uma vez no Oeste” com um olhar estrangeiro, distanciado e crítico, Sergio Leone sedimenta de modo “alegórico” e perspicaz a definitiva imagem do “cowboy” [6].


Um olhar a partir do gênero.


O cinema se faz relevante enquanto campo de análise, principalmente pela sua intenção artística de tentar reproduzir (ou...
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