O problema do eu transcendental em sartre

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  • Publicado : 14 de outubro de 2011
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Na T.E. Sartre propõem que é falsa a noção de um eu pessoal e unificador do fluxo da consciência, sustentando que através do método da redução fenomenológica pode-se descobrir que esse “eu” é na verdade um objeto transcendente constituído pela consciência. À partir dessa conclusão Sartre negará a noção de um eu puro, dando sustentação a sua tese de que a consciência é um vazio, uma aberturaintencional para o mundo.
Pretendo demonstrar nessa dissertação que afirmar que o eu é um objeto constituído não serve de base para negar-se a ideia de eu puro, que o eu como objeto constituído é uma noção distinta da noção de eu puro, e portanto, a negação de uma não implicará na negação da outra. Por fim, tentarei mostrar que através da redução fenomenológica não é possível afirmar se há ou não há o“eu puro”, e portanto, ela não dará base para Sartre afirmar que a consciência é um vazio.

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Na T.E. Sartre aplicará a redução fenomenológica à noção de eu, conseguindo provar que esta noção é na verdade um objeto transcendente constituído pela consciência. Revelará que o eu não é uma característica intrínseca da consciência, mas é uma posteriormente atribuído pela reflexão ao fluxoirrefletido da consciência.
O aplicação do método fenomenológico deixará evidente que a noção de eu se trata da síntese de uma multiplicidade de fenômenos completamente isolados . Os estados psíquicos, as ações e a personalidade desse eu mostrar-se-ão sínteses pouco ou muito elaboradas e abrangentes, e não qualidades de uma consciência pessoal. Ficará claro que essa noção de eu é uma síntese reflexivacomposta gradualmente a partir dos múltiplos fenômenos, constituindo um objeto que depois passaremos a chamar de eu e a ilusoriamente considerar parte integrante da consciência.
Sartre deixou claro que o eu pessoal , com sua personalidade e seus estados é uma síntese que pode ser desmontada e reduzida à fenômenos distintos e separados no espaço e no tempo, que no campo da evidência pura livre doscorrelatos intencionais opacos e obscuros, não há um eu, mas somente a pura consciência irrefletida, somente um fluxo de fenômenos impessoais e isolados entre si. Sartre enfatiza que a consciência transcendental não comporta nem precisa de um eu, que ela se auto-unifica espontaneamente, e sua individualização é resultado necessário de sua auto-unificação.

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Sartre pretende ter provado naT.E. que não há um eu no campo da pura evidência fenomenológica. Mas aqui vem o problema que pretendo tratar nessa pequena dissertação: quero questionar se na T.E. Sartre realmente provou que não há um eu na consciência, ou se tudo que ele fez foi “apenas” provar que erraram aqueles que consideraram que o “eu objeto” era o mesmo que o eu puro, ou seja, que o eu puro poderia ser objetivado.
Paradiscutir isso, é preciso antes voltar às premissas de Sartre na T.E. e entender o que ele está questionando. Vemos que em toda a T.E. Sartre não discutirá o campo da pura evidência em si, mas se empenhará em desmontar, à partir do método da redução, uma certa noção de eu; sua premissa será um “eu objeto”, um eu que supostamente teria sido objetivado.
É preciso voltar à essa premissa e ver se ela émesmo a noção de eu puro, ou se ela é tão só um objeto constituído a que se atribuiu a noção de eu puro, e verificar assim se a premissa que Sartre julgou ser o eu puro não era o conceito de eu puro, mas tão só um objeto constituído considerado como o eu puro.
Agora a questão não será, como apressadamente pode-se pensar, saber se o que Sartre analisou foi o eu puro ou o “objeto constituídoerradamente chamado de eu puro” pois se a redução fenomenológica da T.E. levou Sartre a conclusão de que o eu que ele analisava era um objeto constituído, então é evidente que o que ele analisou só poderia ser um objeto constituído, ou seja, a “descoberta” de que o eu é um objeto constituído é pré-posta, a análise constitutiva foi sobre um objeto constituído.

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Se a questão não é se Sartre...
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