O poeta da roca

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  • Publicado : 24 de abril de 2012
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O POETA DA ROÇA
Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de páia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço opapé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai,coitadinho! vivia se cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastêro, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra aosertão.

Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Eu canto o cabôco com sua caçada,
Nasnoite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquêro vestido de côro,
Brigando com o tôro no mato fechado
Que pega na ponta dobrabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim,sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.

(ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá. 3 ed.Petrópolis: Vozes, 1980)



O POETA DA ROÇA

Sou filho das matas, cantor da mão grossa,
Trabalho na roça, de inverno à verão.
O meu casebre é coberto de barro,
Só fumo cigarro de palha de milho.

Soupoeta dos matos, não faço o papel
De algum menestrel, ou errante cantor
Que vive vagando, com sua viola,
Cantando, bonachão à procura de amor.

Não tenho estudo, pois nunca estudei,
Apenas eu seiassinar meu nome.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem dinheiro,
E o filho do pobre não pode estudar.

Meu verso simples, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo da...
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