O mundo atual

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“Quanto tempo precisarão os europeus para compreender que trocaram um mundo com ameaça, mas sem risco, por um universo sem ameaça, mas com riscos?” Alain Minc, 1994

“E nem mudou a nossa sociedade sibarítica. Após a Guerra Fria ela piorou. Em ambos os lados do Atlântico. Mais corrupta, introvertida, conformista, intolerante, isolacionista, presunçosa. Menos equitativa.” John Le Carré, 1996“Vivemos numa era insana, mas insana do que o normal, porque, apesar dos grandes avanços tecnológicos e científicos, o homem não tem a mínima idéia de quem é ou do que está fazendo.” Walker Percy, 1987

“Nunca chegamos a dar-lhe um bom nome, e agora ela acabou. A era pós-guerra fria – chamemo-la assim, na falta de denominação melhor – teve início com a queda de uma construção, o Muro deBerlim, em 9 de novembro de 1989, e chegou ao fim com o colapso de outra, as torres gêmeas do World Trade Center, a 11 de setembro de 2001.” John Lewis Gaddis, 2002

1. Introdução

Procurar entender o mundo e suas transformações foi sempre um preocupação de vários políticos, filósofos, historiadores, sociólogos, economistas e geógrafos. As reflexões sobre a conjuntura internacional podem serencontradas em várias fontes: filósofos e cientistas sociais, historiadores, autores da literatura e artistas em geral. O conhecimento das realidades e nuances da problemática mundial pode ser enriquecido pela leitura de textos científicos ou literários, filmes, teatro, fotografias ou a produção da mídia em geral (jornais, revistas, histórias em quadrinhos, enciclopédias, etc.). Porém, a compreensãomais ampla e profunda da realidade deve ser embasada pela compreensão das estruturas ou dos paradigmas que formam o arcabouço teórico de toda tentativa de interpretação da realidade. Em suma, é preciso saber que tipo de discurso (paradigmas, metarrelatos) se insere – implícita ou explicitamente – nos diversos textos. A epistemologia é fundamental. É preciso usar a teoria do conhecimento paraidentificar as características estruturais dos vários discursos existentes, buscando assim alguma referência para navegar na chamada “nova (des)ordem internacional” que está sendo (des)construída.

Toda “visão de mundo” é parcial, fragmentada e subjetiva. Esta é uma visão particular que eu tenho de “ler” o mundo. Seja pelas minhas leituras ou pelo espaço restrito deste artigo, você tem em mãosapenas uma das muitas possibilidades, um dos muitos guias de estudo prováveis, para compreender melhor o mundo em que vive. Um mundo complexo, com várias interpretações, contradições e paradoxos. Por isso algumas lacunas são inevitáveis. Não foram citados o italiano Ítalo Calvino, o argentino Jorge Luis Borges ou o albanês Ismail Kadaré, simplesmente por ser impossível abarcar um universo de milharesde títulos publicados, mas o leitor curioso vai descobrir por sua própria conta outras preciosidades.

Este guia de leitura foi pensado para servir aos estudantes das áreas de comunicações em geral (relações públicas, publicidade e jornalismo), turismo, hotelaria e outras especialidades semelhantes. Os estudantes de disciplinas como história, sociologia, filosofia ou política possuem seu universomais amplo de textos, autores e linhas de pensamento, mas também podem usar esse roteiro tendo-o como mais uma referência acadêmica.

2. A visão de mundo de Oswald Spengler (1880-1936)

Historiador alemão e filósofo da história, Spengler era admirador de Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Em seu livro A decadência do Ocidente (1918), pode-se percebercomo Spengler foi influenciado pelos horrores da Primeira Guerra Mundial e pela derrota da Alemanha. Ele via a história não como progressão linear, mas como o desabrochar de várias culturas (nove ou dez), cada uma com características próprias. O trabalho foi importante ao romper decididamente com a concepção hegeliana de história como um processo governado pela razão (do filósofo alemão Georg...
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