O mercador de veneza

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1127 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 29 de outubro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
O Mercador de Veneza e a Teoria dos Contratos 
             
              Shakespeare, como o dramaturgo mais popular do mundo, nos desafia há mais de 350 anos a conhecer seus personagens míticos. “O Mercador de Veneza” é uma obra peculiar, enquadrada entre as comédias do poeta inglês, ela desenrola-se de tal forma, que a dramaticidade impõe-se sobre o gracejo, e desvela seu sentidotragicômico.
              O enredo transita por duas óticas: de um lado o penhor de uma libra de carne, contrato, cujo viés jurídico é garantido mediante homologação com todos os desdobramentos legais subseqüentes; e o fio condutor romântico, o da escolha do noivo por meio de cofres de diferentes materiais e significados.
              O drama em “O Mercador de Veneza” provoca a inquietação e a reflexão deuma questão que é jurídica em seus primórdios, com contornos sobre a legislação de Veneza, ou seja, as leis locais e o estrangeiro, com ênfase nas fases processuais que o litígio comporta. Esta comédia coloca em discussão assuntos como o contrato, bem como a importância da argumentação e da retórica para os profissionais do direito.
              A história de Pórcia de Belmonte, uma moça rica cujopai deixa em testamento o desejo de casá-la com aquele que, escolhendo dentre três escrínios (ouro, prata e chumbo), encontrasse o retrato da moça.
              Bassanio moço de poucas posses pede ao amigo Antônio, rico mercador, uma quantia em dinheiro para que possa concorrer à mão da bela Pórcia. Entretanto, Antonio não dispunha de quantia necessária no momento, vez que seus navios estavam emalto mar, mas devido à grande afeição que nutria por Bassanio, pede um empréstimo para Shylock, rico judeu que emprestava dinheiro a juros.
              Shylock, por sua vez, nutria certo ódio por Antonio que também emprestava dinheiro, porém sem cobrar juro algum, o que certamente atrapalhava os negócios do judeu que viu neste empréstimo a oportunidade de vingar-se de Antonio, colocando umacondição para o empréstimo: um contrato garantindo uma libra de carne do corpo de Antonio caso a dívida não fosse paga no dia combinado.
              Acontece que os navios de Antonio perdem-se no mar e no dia estipulado ele não tinha a quantia em dinheiro para devolver a Shylock, que resolve recorrer à Justiça para ter seu contrato executado. Pórcia, já casada com Bassanio, resolve ajudá-lossecretamente, disfarçando-se de advogado e defendendo o amigo de seu amado.
              É necessário que não nos esqueçamos que os princípios éticos e o contexto legal nem sempre se harmonizam, e este foco fica claro quando da cena do tribunal, onde as razões e as contra-razões se chocam num clima passional, onde se excede à precariedade jurídica com o exercício das palavras em que as falsas verdades ea manipulação ideológica são o que o Direito dissimula, a Lei camufla, a Literatura põe a nu, e que a Filosofia se permite questionar.
              Pórcia entra no tribunal disfarçada de homem, apresentando-se como Baltasar, o jovem advogado oferecendo o pagamento em dinheiro para o judeu. Porém, munido de má-fé e com uma grande vontade de vingar-se de Antonio, Shylock recusa a oferta, afirmandoque quer que o contrato seja executado, ou seja, quer a libra de carne de Antonio.
              Lembrem-se do contrato que foi celebrado. Como todos sabem, contratou-se, entre duas pessoas, mediante pagamento de elevada soma, que, verificada certa condição, cuja ocorrência era extremamente improvável, um dos contratantes poderia exigir um quilo da carne do corpo do outro contratante.              Aquele que assumira a obrigação de entregar parte de sua carne estava bastante tranqüilo, porque a possibilidade de ocorrência da condição era remota, praticamente inexistente. Mas a condição se verificou e então aquele contratante, que havia adquirido um quilo da carne do corpo do vendedor, pretende exercer o seu direito a isso se opôs o outro contratante, alegando que havia sido contratada...
tracking img